Política capitalista envelheceu

Por Antonio Silva

O sistema está em crise, o corpo capitalista dá mostra de envelhecimento e sua sorte depende da sua rigidez e a força dos membros mundiais no tempo

UOL - Reprodução/michelleobama - A primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, postou foto nesta quarta-feira (8) em adesão à campanha internacional pela libertação de mais de 200 meninas sequestradas na Nigéria pela milícia radical islâmica Boko Haram
A Ucrânia tem eleições presidenciais neste domingo. Assim, como qualquer país no mundo as eleições são princípios da democracia, em que todos os cidadãos escolhem seus representantes. A decisão eleitoral no país é diferente e tem pontos que vão além de suas fronteiras, atingindo três nações que buscam poder mundial. Os aliados a comunidade europeia, liderados pelos Alemães e franceses, e Estados Unidos em forte batalha política contra a Rússia.

As intrigas estão no campo da ordem global, que envolvem quase um século de disputas políticas, em tempos de tensão, na chamada guerra fria. Com a crise vivida pelos europeus e norte-americanos, os russos parecem querer retomar sua força. O momento parece oportuno.

Nesta semana, a Rússia fez acordo com a China de comercialização de gás natural, que antes de qualquer negócio sinaliza relações entre os dois países, alinhando-se em tempos de crise da ordem global. Não são países quaisquer na perspectiva econômica e bélica, com filosofia que os unem em algum ponto de suas políticas nacionais e globais.

Pelos movimentos, a tendência é esquentar a chapa mundial para mais enfrentamentos e bate boca pela mídia globalizada. A  Ucrânia se faz um ponto nesta disputa, circunstancialmente se insere numa questão moral que atinge os dois lados. Portanto, estas eleições deste domingo serão muito observadas, além de seu desdobramento; e não termina aí.


Não são dias fáceis para o país da ordem mundial, os Estados Unidos
Imagem R7 - Pneus queimando em um distrito governamental em Kiev, durante protestos na Ucrânia.
Os conflitos jorram neste corpo global em vários lugares. Golpe de Estado na Tailândia, meninas sequestradas na Nigéria, bombas continua explodindo no Iraque, mortes anunciadas na Líbia, Iugoslávia sem ordem política e econômica, etc. etc. Talvez o paciente esteja mesmo muito enfermo, o sistema capitalista mundial, e o médico convalescente de problemas de uma velhice que se aproxima muito rapidamente.

Não é possível ser jovem a vida toda, e os adversários percebem a fraqueza e as dificuldades de se manter um sistema que atende mais grupos sociais globais, do que nações inteiras com crises intermináveis (muitas delas provocadas por interesses econômicos), deixando milhares de pessoas jogadas a própria sorte, apesar das riquezas que produzidas pelos pobres são transportadas diariamente para os grandes centros internacionais.


O Brasil e a América Latina não estão fora destas disputas

Importante observar  a Argentina que se aproxima da China, Venezuela que busca acordos com países fora do domínio da Europa e Estados Unidos. O Chile elege Michelet Bachelet, com posicionamento político que distancia das lógicas neoliberais; a Colômbia, as vésperas de eleições presidenciais sinalizam para intervenção política externas, contra a atual política nacional que aponta para negociação com as Farc.

E o Brasil? Dois grupos se enfrentam nas eleições presidenciais de 2014, com filosofias que os distanciam. Um mais aliado às lógicas liberais norte americanas (PSDB e por vezes o PSB) e outro mais arredio ao mercado centralizado e poder exagerado sobre a América Latina e interesses nacionais (PT), inclusive com espionagem do governo central brasileiro.

O sistema está em crise, o corpo capitalista dá mostra de envelhecimento e sua sorte depende da sua rigidez no tempo e a força dos membros mundiais em crise.

***

Antonio Silva é Jornalista e Professor UFMT - Campus Araguaia.