Por Antonio Silva*

A disputa não está apenas no novo e desconhecido nome de Aécio Neves e falta de carisma de Dilma Rousseff, mas em projetos de governo, o qual terá amplos reflexos no Brasil em tempos de globalização e forte pressão da América Latina

As pesquisas eleitorais apontam provável segundo turno nas eleições presidenciais no Brasil este ano, numa polarização entre Petistas (Dilma Rousseff) e PSDB (Aécio Neves). Antes do início da apresentação dos candidatos era certa a vitória de Rousseff já no primeiro turno, com ampla vantagem sobre os seus adversários.

Nos últimos meses as várias denúncias repetitivas na mídia nacional e internacional surtiu efeito negativo na popularidade da atual presidente, que passou seu primeiro mandato, com críticas sobre seu carisma político, comunicação com a sociedade e parlamentares.

Nesta sexta-feira o Datafolha trás mais números que revelam leve queda da Rousseff e subida de Aécio Neves, com pouco avanço de Eduardo Campos do PSB, que tem como vice em sua chapa Marina Silva (PSB).

Conforme o instituto paulista Dilma chega a 37% dos votos e a oposição, na soma de todos os candidatos, 38%, considerando margem de erro que é de dois pontos para mais ou menos. Portanto, nada resolvido, podendo as eleições terminar ainda no primeiro turno, caso haja pelos petistas alguma estratégia de estancar a perda de popularidade de Rousseff.

No que ser refere aos candidatos à presidência, conforme aponta Datafolha, Dilma aparece com 37% – queda de 1% da última pesquisa, Aécio Neves 20% – crescimento de 4%; e Eduardo Campos, do PSB, com 11% – aumento de 1%. Depois vêm os pequenos partidos com os demais candidatos conjuntamente ficam entre 1% a 3%.

O momento é de tensão. 

No Brasil a política não vai sendo realizada somente pelo debate entre os candidatos – que de fato, ainda não ocorreu, mas sobre projetos. A mídia ganha peso nas denúncias contra o governo, que atinge a pestista, que não reage aos ataques dos adversários, com forte destaques nos jornais.

Situação ruim do governo que pode intensificar ou mesmo minimizar com a presença maior de resposta aos ataques sofridos pelo Palácio do Planalto. Em algum momento os petistas deverão reagir, caso contrário serão sempre alvos de críticas e denúncias que sucedem na imprensa em ano eleitoral.

Sobre as proposta de governo, considerando o perfil dos candidatos e dos partidos, há uma disputa entre Aécio Neves que trata com fidelidade o projeto tucano, iniciada por Fernando Henrique Cardoso – seu principal articulador -, que é de valorizar com prioridade o desenvolvimento dos mercados, com o objetivo de promover o crescimento do país. Discurso que sensibiliza empresários brasileiros e internacionais, com a forte concordância de parte da grande mídia brasileira, que abertamente defende um Brasil globalizado, no seu neoliberalismo econômico.

Distribuição de renda

Dilma Rousseff, seguindo o discurso de Lula -  principal líder e símbolo do PT – se propõe aumentar a participação social no Estado, o que inclui aumentar a força do governo no mercado, regularizando-o, no sentido de que haja espaço para distribuição de renda, com o aumento das riquezas brasileiras e contratos com mercado externo, em processo de negociação.

Considerando, entretanto, que as propostas dos petistas está longe de ser de uma política social. Afinal, tanto a administração de Lula, quanto de Dilma, valorizou também as grandes empresas, como banco e empreiteiras, mas conseguiu avanços importantes na inclusão social.

Como se vê, embora os tucanos tenham um discurso que sinaliza para a manutenção da distribuição de renda, acredita que o mercado será fundamental para a melhoria da qualidade de vida dos muitos pobres brasileiros, o que já foi tentado por FHC, com fracasso.

Dilma Rousseff, no projeto petista, aponta para manutenção da ordem política de controlar o mercado e sinalizar para a maioria dos brasileiros de baixa renda – sendo mais popular. Não seria por outro motivo que nas regiões norte e nordeste que a petista obtém maior popularidade e aceitação.

Desta forma, a disputa não está apenas no novo e desconhecido nome de Aécio Neves e falta de carisma de Dilma Rousseff, mas em projetos de governo, o qual terá amplos reflexos no Brasil em tempos de globalização e forte pressão da América Latina. Região que se mostra com decisão de endurecer o jogo contra o poder soberano dos grandes mercados internacionais, que exploram os países de população de maioria pobre como o Brasil.

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*Antonio Silva é Jornalista e professor UFMT - Campus Araguaia.

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Fonte Pesquisa: Datafolha/Folha de S. Paulo

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