Por Antonio Silva
A campanha a presidência no Brasil ainda não chegou às ruas. A população aguarda o desenrolar da afirmação das candidaturas, para saber quem fica ou deixará o páreo, nos grupos políticos que se estruturam, com análise mais segura do quadro. Uma decisão sábia; é o que também faríamos caso não fosse intrigante as disputas de poder que se formam entre os clubes dos empresários, agronegócio, capital internacional, partidos brasileiros e conglomerados midiáticos.
Pode parecer uma lista extensa, mas é isso mesmo e há mais, há um senhor debate para o convencimento de representantes sociais, de vários setores, para dois projetos, em essência, que vão se estabelecendo. Sobre este ponto é queremos analisar aqui, depois de cada grupo político divulgar inicialmente suas metas, sobre as quais fazem propaganda.
Começamos pelo PT, que nos últimos dias divulgou sua mensagem publicitária, cuja essência afirma a importância do Estado na sociedade civil, de modo a compreender que a inserção social na política de governo é fundamental. Valorizar somente as empresas e os interesses do mercado financeiro seria arriscado para a maioria das pessoas, às margens do capitalismo brasileiro e globalizado.
Como resultado desta proposta, sinaliza seguir a linha de governo desde a gestão Lula, da inclusão social, com a força política personalista do líder e do partido no Estado. O objetivo seria atacar diversos problemas e dar condições de vida com justiça para as pessoas das classes média e especialmente pobres, a maioria deste país.
Evidentemente, que nesta proposta contrapõe ao governo de Fernando Henrique Cardoso do PSDB, na presidência do Brasil durante oito anos, que agora trabalha para a eleição do ex-governador de Minas Gerais, agora Senador, Aécio Neves.
Diferentemente, da postura de Dilma/Lula, as metas de Aécio/FHC é exatamente reduzir ou acabar com os “problemas do Estado”, que é gastador e de pouca eficiência, como faz questão de frisar em campanha. Seu objetivo é o de melhorar a estrutura do país, com grande avanço econômico, valorizando as empresas e certamente com abertura de mercado para as nações desenvolvidas, como fez prioritariamente FHC, em seu governo.
Neste sentido, a privatização se torna necessária, pois, o setor empresarial consegue mais eficiência e produtividade, a exemplo dos projetos desenvolvidos em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha – distante da realidade da América Latina, que tenta avançar economicamente. Sobre a participação da sociedade civil e seus problemas, como fome, miséria, injustiça, etc., no governo será tarefa de organizações instituições promovidas pelo Estado, como o terceiro setor, as chamadas ONGs – apêndice neoliberal, mais próximo do público.
Portanto, haverá no seu governo, como se mostra, uma gradual redução do Estado, e maior vantagem para o setor financeiro e econômico globalizado.
Proposta de Aécio/FHC agrada a grande mídia, que permanentemente faz esta exigência, nos seus editoriais, ao governo de Dilma/Lula. Recebe apoio de Brasília, mas não o suficiente como os grandes empresários brasileiros, ligados a estes conglomerados de comunicação e do mercado externo esperam. Assim, o modelo fica vulnerável nas inesperadas mudança e a mídia precisa todo dia pressionar a administração federal para os contratos com o mercado e redução dos gastos estatais, com vistas a impedir o peso e tamanho do Estado, na gestão pública.
Como se nota há uma disputa de projetos, um com maior participação social e outro neoliberal, que visa o crescimento econômico, reduzindo o investimento no público. De modo que, as pessoas sem assistência social possam buscar melhorar sua vida por conta própria, individualmente, enfrentando os problemas que fazem parte de uma sociedade amplamente complexa.
Se anotada a herança econômica, o Brasil continua um dos países com a pior distribuição de renda do mundo, agrupado a uma região, a latino-americana, na qual se vive no meio de riquezas imensuráveis, mas com uma população sem escola, saúde, dignidade e renda, na sua maioria. Certamente, com uma maioria que aproveita desta rentabilidade natural.
O projeto mais emblemático para se entender é o da parceria entre Eduardo Campos/Marina Silva, considerando a sinalização política que faz cada um, correspondendo aos grupos que pertencem, que não são os mesmo e nem seguem unidos.
Campos tem mais facilidade para acenar para o neoliberalismo, reunindo e discutindo o seu futuro governo com grandes empresários, tanto nacionais como aqueles de lastros internacionais, mas com uma herança de família que se volta para as classes menos favorecidas.
O pernambucano quis parceria com o PSDB paulista para seus palanques, além de Ronaldo Caiado e o DEM, um partido de defesa do agronegócio nacional e conservador, para fortalecer seu poder político na corrida presidencial. Portanto, ao legitimar a indústria, com exploração da terra, cria amplos problemas ambientais, quando se depara pela frente com a parceira Marina Silva, que é ligada aos defensores do ambientalismo brasileiro. Ao que parece Marina entende que é preciso explorar, mas preservar. Com projeto sustentável, no qual não cabe o agronegócio e nem Caiado. Bingo.
Os projetos e seus articuladores políticos
Com
se observa são dois projetos em disputa, o social-participativo que
reúne Dilma/Lula e Marina e outro voltado para as grandes empresas e
redução do Estado, de Aécio/FHC e, articulando politicamente, Campos.
Não seria por outra razão que o PSB segue na campanha com dois
discursos, que em determinado momento colidem. Com a dura missão de
escolher entre a participação social, ambientalismo e neoliberalismo.
Uma tarefa quase impossível, numa campanha em que dupla precisa se
apresentar unida para chegar ao topo.
Talvez falte avaliar em quais destes dois projetos a sociedade civil mais vai se identificar. Ao que parece também estará dividida, sobretudo a classe média, nas suas ideologias, que não sabe se busca a representação da parte de baixo, ou seja, da maioria que luta para a regulação do estado e pavimentação da política para as instituições sociais, como Escola, saúde, mercado, etc., portanto, uma estrutura pública que atenda os desfavorecidos pelo sistema capitalista. Ou, por outro lado segue o discurso da elite brasileira, eclipsado por parte da grande mídia do país, que defende a manutenção dos ganhos dos mercados e não sustentar o Estado regulador.
Portanto, na agenda política nacional, nesta campanha, no meio do caminho está o ESTADO, a serviço do interesse de uma maioria dependente ou minoria globalizada alforriada pelo mercado. No final da estrada está o símbolo do poder privado ou público.
***
Antonio S. Silva é Jornalista e Professor UFMT - Campos Araguaia.
No final da estrada está o símbolo do poder privado ou público
A campanha a presidência no Brasil ainda não chegou às ruas. A população aguarda o desenrolar da afirmação das candidaturas, para saber quem fica ou deixará o páreo, nos grupos políticos que se estruturam, com análise mais segura do quadro. Uma decisão sábia; é o que também faríamos caso não fosse intrigante as disputas de poder que se formam entre os clubes dos empresários, agronegócio, capital internacional, partidos brasileiros e conglomerados midiáticos.
Pode parecer uma lista extensa, mas é isso mesmo e há mais, há um senhor debate para o convencimento de representantes sociais, de vários setores, para dois projetos, em essência, que vão se estabelecendo. Sobre este ponto é queremos analisar aqui, depois de cada grupo político divulgar inicialmente suas metas, sobre as quais fazem propaganda.
Começamos pelo PT, que nos últimos dias divulgou sua mensagem publicitária, cuja essência afirma a importância do Estado na sociedade civil, de modo a compreender que a inserção social na política de governo é fundamental. Valorizar somente as empresas e os interesses do mercado financeiro seria arriscado para a maioria das pessoas, às margens do capitalismo brasileiro e globalizado.
Como resultado desta proposta, sinaliza seguir a linha de governo desde a gestão Lula, da inclusão social, com a força política personalista do líder e do partido no Estado. O objetivo seria atacar diversos problemas e dar condições de vida com justiça para as pessoas das classes média e especialmente pobres, a maioria deste país.
Evidentemente, que nesta proposta contrapõe ao governo de Fernando Henrique Cardoso do PSDB, na presidência do Brasil durante oito anos, que agora trabalha para a eleição do ex-governador de Minas Gerais, agora Senador, Aécio Neves.
Diferentemente, da postura de Dilma/Lula, as metas de Aécio/FHC é exatamente reduzir ou acabar com os “problemas do Estado”, que é gastador e de pouca eficiência, como faz questão de frisar em campanha. Seu objetivo é o de melhorar a estrutura do país, com grande avanço econômico, valorizando as empresas e certamente com abertura de mercado para as nações desenvolvidas, como fez prioritariamente FHC, em seu governo.
Neste sentido, a privatização se torna necessária, pois, o setor empresarial consegue mais eficiência e produtividade, a exemplo dos projetos desenvolvidos em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha – distante da realidade da América Latina, que tenta avançar economicamente. Sobre a participação da sociedade civil e seus problemas, como fome, miséria, injustiça, etc., no governo será tarefa de organizações instituições promovidas pelo Estado, como o terceiro setor, as chamadas ONGs – apêndice neoliberal, mais próximo do público.
Portanto, haverá no seu governo, como se mostra, uma gradual redução do Estado, e maior vantagem para o setor financeiro e econômico globalizado.
Proposta de Aécio/FHC agrada a grande mídia, que permanentemente faz esta exigência, nos seus editoriais, ao governo de Dilma/Lula. Recebe apoio de Brasília, mas não o suficiente como os grandes empresários brasileiros, ligados a estes conglomerados de comunicação e do mercado externo esperam. Assim, o modelo fica vulnerável nas inesperadas mudança e a mídia precisa todo dia pressionar a administração federal para os contratos com o mercado e redução dos gastos estatais, com vistas a impedir o peso e tamanho do Estado, na gestão pública.
Como se nota há uma disputa de projetos, um com maior participação social e outro neoliberal, que visa o crescimento econômico, reduzindo o investimento no público. De modo que, as pessoas sem assistência social possam buscar melhorar sua vida por conta própria, individualmente, enfrentando os problemas que fazem parte de uma sociedade amplamente complexa.
Se anotada a herança econômica, o Brasil continua um dos países com a pior distribuição de renda do mundo, agrupado a uma região, a latino-americana, na qual se vive no meio de riquezas imensuráveis, mas com uma população sem escola, saúde, dignidade e renda, na sua maioria. Certamente, com uma maioria que aproveita desta rentabilidade natural.
O projeto mais emblemático para se entender é o da parceria entre Eduardo Campos/Marina Silva, considerando a sinalização política que faz cada um, correspondendo aos grupos que pertencem, que não são os mesmo e nem seguem unidos.
Campos tem mais facilidade para acenar para o neoliberalismo, reunindo e discutindo o seu futuro governo com grandes empresários, tanto nacionais como aqueles de lastros internacionais, mas com uma herança de família que se volta para as classes menos favorecidas.
O pernambucano quis parceria com o PSDB paulista para seus palanques, além de Ronaldo Caiado e o DEM, um partido de defesa do agronegócio nacional e conservador, para fortalecer seu poder político na corrida presidencial. Portanto, ao legitimar a indústria, com exploração da terra, cria amplos problemas ambientais, quando se depara pela frente com a parceira Marina Silva, que é ligada aos defensores do ambientalismo brasileiro. Ao que parece Marina entende que é preciso explorar, mas preservar. Com projeto sustentável, no qual não cabe o agronegócio e nem Caiado. Bingo.
Os projetos e seus articuladores políticos
Talvez falte avaliar em quais destes dois projetos a sociedade civil mais vai se identificar. Ao que parece também estará dividida, sobretudo a classe média, nas suas ideologias, que não sabe se busca a representação da parte de baixo, ou seja, da maioria que luta para a regulação do estado e pavimentação da política para as instituições sociais, como Escola, saúde, mercado, etc., portanto, uma estrutura pública que atenda os desfavorecidos pelo sistema capitalista. Ou, por outro lado segue o discurso da elite brasileira, eclipsado por parte da grande mídia do país, que defende a manutenção dos ganhos dos mercados e não sustentar o Estado regulador.
Portanto, na agenda política nacional, nesta campanha, no meio do caminho está o ESTADO, a serviço do interesse de uma maioria dependente ou minoria globalizada alforriada pelo mercado. No final da estrada está o símbolo do poder privado ou público.
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Antonio S. Silva é Jornalista e Professor UFMT - Campos Araguaia.