Jornalismo, sem informação

Por Antonio Silva

Mídia Ninja 

Muito a questionar, sobretudo o tempo da mudança na comunicação mediada e o time da percepção dos donos do poder midiático sobre o mundo da visibilidade

O Jornalismo certamente inicia hoje um processo para grandes mudanças. A inserção das redes sociais no terreno da informação pegou de surpresa as grandes empresas de comunicação. Logo aqueles, que por séculos observou os acontecimentos do mundo com potentes lentes das mediações, os conglomerados de entretenimento.

Nas mãos faturamentos que dizem respeito a sua capacidade de organizar a audiência e controlar o modo de pensar e se ver o mundo, do próprio mundo.
Nos tempos idos, o aumento de pessoas que se comunicam e se informam gerou uma grave crise na direção das afortunadas redes de comunicação, que se institucionalizaram, sendo mais importante do que o próprio Estado, da justiça.

A política, por muito tempo, esteve a reboque dos jornais de grande circulação e dos carismáticos apresentadores globais.

Com o tempo a capacidade de informação, construindo uma narrativa intrigante e emocionante, passou a ser fundamental para se conquistar público, mais do que os performáticos homens das mídias e suas mágicas gráficas. Algo apareceu no horizonte da mentalidade do espectador.

Com as mudanças sociais, com maior acesso da tradicional audiência à educação e informação – advindas até mesmo destes meios de comunicação, por mais paradoxal que pareça – as necessidades de integrar socialmente (que significa mais transporte, educação, comunicação, alegria) emergiram de todos os lados.

Em xeque ficou a desenvoltura e transparência do processo de comunicação empresarial. As alternâncias na liberdade de expressão e informação estiveram sempre na contramão dos anseios da sociedade, por uma questão circunstancial de poder no domínio de mentes e corações.
O Jornalismo demorou muito a perceber que há na sociedade as necessidades latentes, ou seja, o desejo de mais igualdade e poder de comunicação de diferentes segmentos, que foram tomando proporção, mas sem meios para se manifestar.

Quando de repente o meio surge no esplendor dos bytes, todos podem jogar conversa fora e postar fotos, cachorros, gatos, expor sua vida particular – síndrome do voyeurismo brasileiro. Mas também há espaço para reclamações, para criticar, revelar o mundo policial e político nas entranhas do poder que domina. Nem mesmo os grandes apresentadores e donos das mídias escapam.

Opa! Algo precisa ser feito

Nos últimos dias, com a morte de um jornalista em praça pública, a realidade veio à tona. Há uma crise no país que os meios de comunicação tradicionais não conseguem organizar.

A cabeça do brasileiro não é mais feita pelos meios convencionais, a guerrilha tomou conta das ruas – há violência. Depois de muitas disputas e xingamentos contra exatamente as mídias dos conglomerados, provocações explodem, surge uma morte significativa. Num primeiro momento a dúvida: acidental ou não?

Depois a certeza de puro ato de violência contra a sociedade movida e provocada por outros meios de comunicação, subversivos e não-tradicionais. A confirmação de que a morte do cinegrafista (representa de todos os meios, não somente a Rede Bandeirantes de Televisão) torna-se símbolo do descontrole político e social. Esquece-se do profissional, ganha terreno a disputa simbólica.

O ano eleitoral pode tornar as questões mais complexas, mas as narrativas midiáticas vão ganhando novos agentes, diferentes das fontes tradicionais das grandes bancadas e redações do jornalismo brasileiros – o que é subversivo aumenta e os enfrentamentos também, inclusive nas redes.

Muito a questionar, sobretudo o tempo da mudança na comunicação mediada e o time da percepção dos donos do poder midiático sobre o mundo da visibilidade.

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Antonio Silva é Jornalista e professor UFMT - Campus Araguaia.

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