Conforme publicado na última edição do Jornal, a Intercom integrou o I Encontro Internacional das Associações Científicas de Comunicação, que reuniu, na Espanha, representantes de 22 associações científicas de todo o mundo. A Vice-presidente da Intercom, professora Marialva Barbosa, que representou a entidade na ocasião, apresentou novos detalhes sobre o evento, ocorrido entre 20 e 21 de janeiro de 2014.

Para Marialva, um dos grandes objetivos do encontro foi definir o papel das Associações Científicas no contexto atual das políticas científicas dos diversos países. “Foi discutido que  a comunicação, na classificação das ciências da UNESCO, é classificada em diversas áreas de conhecimento, podendo estar no caso dos códigos classificatórios desde a Sociologia até a Ótica, quando, por exemplo, a pesquisa trata de aspectos relativos à imagem. Isso produz inúmeras dificuldades para os pesquisadores e tem reflexo na forma como as agências de fomento de vários países consideram a comunicação como ciência”.

Por isso, os pesquisadores presentes no evento, como conclusão mais importante, decidiram encaminhar um documento conjunto à UNESCO para propor a criação da comunicação como campo científico autônomo. Conforme justifica a professora Marialva, “diante da importância da comunicação como lugar de reflexão teórica, diante das evidências que a comunicação é uma área de investigação consolidada (um exemplo, passou-se de uma dezena de publicações no início dos anos 1990, para mais de 3 mil revistas científicas em todo o mundo), face a importância estratégica da área de comunicação para a indústria, para as perspectivas tecnológicas do século não tem mais sentido não ser a comunicação um campo científico autônomo”.

A mudança na classificação representa uma mudança importante para as ciências da comunicação. “Isso representará o fortalecimento das pesquisas, dos pesquisadores, o maior intercâmbio, mais verba destinada às pesquisas realizadas na área e o reconhecimento de uma importância que já existe na área”.

Assim como nos outros países, para o país o reconhecimento da comunicação como um campo autônomo tem efeitos reais. Para a Vice-presidente da Intercom, “no caso do Brasil isso seria muito importante, uma vez ao estar localizada nas Ciências Sociais Aplicadas - como em diversos outros países ibero-americanos - estamos também na hierarquização dos saberes ditos “aplicados” (o que já destaca negativamente do ponto de vista da construção da ideia de ciência), ocupando lugar  inferior (pelo menos no que diz respeito à distribuição de verbas e outras distinções) em relação, por exemplo, ao Direito, à Economia, etc.”.

Uma vez que já foi acordado, no encontro, encaminhar um documento conjunto à UNESCO, o processo agora é outro. Será redigido um documento a partir dos dados que serão centralizados por uma das associações internacionais - a mais antiga e uma das que tem o escopo de maior abrangência internacional, a IAMCR. A Associação produzirá um estudo – baseado nos dados a serem fornecidos pelas associações de todo o mundo – sobre as classificações em diversos países, apresentando os argumentos necessários para solicitar a autonomização da comunicação como campo científico na classificação da UNESCO. Apesar de ainda não ter data para a realização do encaminhamento, o documento deve ser enviado ainda em 2014.

O Presidente da Intercom, professor Antonio Hohlfeldt, também destaca o que representaria esse reconhecimento da comunicação como um campo autônomo. “A UNESCO, ao discutir e eventualmente fixar alguma posição, pode ajudar a que nós, no Brasil, também ganhemos maior autonomia e visibilidade como área. Esse debate, aliás, está sendo proposto pela SBPC neste momento, na medida em que vem se tornando fundamental que as diferentes áreas do campo Humanidades se torne autônoma em relação ao campo das Ciências da Saúde ou Ciências Exatas, por exemplo. Isso vale inclusive quanto à CAPES e CNPq, ou demais agências estaduais-regionais de financiamento de pesquisas”.

No caso, por ser a Intercom uma entidade que agrega pesquisadores, o assunto é de extrema importância. “Esse debate interessa tanto à Intercom, que agrega pesquisadores da comunicação cocial de modo geral, quanto às demais instituições que trabalham com as áreas específicas do jornalismo, cinema, comunicação organizacional, etc”, conclui.
Encontro reuniu representantes de 22 entidades do mundo todo.
Crédito: Marialva Barbosa.
Fonte: Intercom

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