Um novo livro conta como Eike Batista deixou milhares de investidores no vermelho ao manipular informações sobre a petrolífera OGX e influir nos preços das ações da empresa

SERGIO LEO

ANOS DOURADOS  O empresário Eike Batista , na sede do grupo EBX, no Rio de Janeiro. Seu otimismo influenciou o preço das ações (Foto: Paulo Fridman/Corbis)
Recordista em competição de lanchas em alto-mar, o empresário Eike Batista costumava fazer piada com a fama da modalidade, considerada uma das mais mortais do mundo esportivo. Basta uma manobra malfeita ou um obstáculo imprevisto, uma marola inocente, para que as embarcações, a velocidades que se aproximam de 150 km/h, possam decolar, rodar em parafuso e esmagar seus pilotos contra a superfície do mar. Por muito tempo, era a esse tipo de aventura que o fundador do grupo X se referia ao falar de suas atividades marítimas.
Nos anos 2000, Eike passou a mirar outro tipo de risco em águas marinhas, com a mesma ousadia: a prospecção, a exploração e a produção de petróleo. Só que, nesse caso, muito mais gente decolou com ele, sem saber o perigo que estava correndo, e acabou se arrebentando no final. No cockpit da OGX, uma empresa petrolífera com capacidade modesta, Eike acelerou cronogramas de exploração e levou ao limite a resistência do mercado de capitais. Em apenas quatro anos, alcançou a estratosfera e despencou de forma espetacular.
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Eike considerava “uns calças-curtas” aqueles que lhe recomendavam baixar as expectativas e as pretensões de suas campanhas exploratórias. Sempre entusiasmado, costumava mencionar – e divulgar, em apresentações de vídeo – a baixa proporção de desacertos nas campanhas de prospecção de petróleo no Brasil, sem atentar que falava de estatísticas da Petrobras, uma estatal com décadas de experiência e um modo mais complacente de lidar com planilhas de custos do que a iniciativa privada.
Avessos a notícias ruins, Eike e seus companheiros na direção da OGX, ao ver frustradas as previsões anunciadas por eles mesmos, agiram, com frequência, como um jogador de baralho que dobra as apostas para evitar que o peguem no blefe. A empresa escondeu informações negativas sobre seus campos. E, pior, omitiu informações que beneficiaram seus dirigentes, em detrimento dos acionistas minoritários que a acompanharam na corrida pelo petróleo.
CÉU E INFERNO Capa do livro sobre Eike Batista, do jornalista Sergio Leo. A obra, já disponível em  formato de e-book, chegará às livrarias na segunda quinzena de fevereiro (Foto: Divulgação)
Durante a vida da OGX, declarações de Eike, em entrevistas ou no Twitter, com previsões ou comentários superlativos, muitas vezes em oposição à realidade, agitavam as ações da companhia na Bolsa. Engajado em seu papel de animador do espírito aventureiro dos investidores, Eike abusou de declarações que, pelas regras de mercados de valores como nos Estados Unidos e no Canadá, poderiam levá-lo a sérias dificuldades com a Justiça. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o mal equipado e muitas vezes distraído xerife do mercado de ações do país, teve dificuldades em agir no caso OGX. Ao contrário da SEC, sua contraparte americana, a CVM não tinha especialistas na área de petróleo capazes de avaliar previamente a qualidade das informações prestadas aos acionistas pela companhia. Ainda assim, já no primeiro dia de negociação das ações da OGX nos pregões, em junho de 2008, Eike rompeu as regras do jogo e foi multado pela CVM, com o banqueiro José Olympio Pereira, diretor do banco Credit Suisse no Brasil, responsável pela montagem da operação.
Leia a íntegra na Revista Época

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