Relatório bienal da organização, apresentado em Pequim, diz
que apenas os cubanos cumprem os critérios minímos de sustentabilidade
ANTONIO BROTO
Cuba é o único país do mundo com desenvolvimento
sustentável, segundo o relatório bienal apresentado hoje pela organização WWF
em Pequim, e que afirma que o ecossistema "está se degradando a um ritmo
sem precedentes na história".
De acordo com o relatório, elaborado pela WWF a cada dois
anos e que foi apresentado pela primeira vez na capital chinesa, se as coisas
continuarem como estão, por volta de 2050 a humanidade precisaria consumir os
recursos naturais e a energia equivalente a dois planetas Terra.
É um círculo vicioso: os países pobres produzem um dano per
capita à natureza muito menor, mas, à medida que vão se desenvolvendo (exemplos
de China e Índia), o índice vai aumentando a níveis insustentáveis pelo
planeta.
A WWF elaborou em seu relatório um gráfico no qual sobrepõe
duas variáveis: o índice de desenvolvimento humano (estabelecido pela ONU) e o
"rastro ecológico", que indica a energia e recursos por pessoa
consumidos em cada país.
Surpreendentemente, apenas Cuba tem nos dois casos níveis
suficientes que permitem que o país seja considerado que "cumpre os
critérios mínimos" para a sustentabilidade.
"Não significa, certamente, que Cuba seja um país
perfeito, mas é o que cumpre as condições", disse à Efe, Jonathan Loh, um
dos autores do estudo.
"Cuba alcança um bom nível de desenvolvimento, segundo
a ONU, graças a seu alto nível de alfabetização e expectativa de vida bastante
alta, enquanto seu 'rastro ecológico' não é grande, por ser um país com baixo
consumo de energia", acrescentou Loh, que apresentou o estudo em Pequim.
De fato, a região latino-americana em geral parece ser a que
está mais perto da sustentabilidade, já que outros países como Brasil ou México
estão perto dos mínimos necessários, frente à situação de regiões como
África -- com baixo consumo energético, mas muito subdesenvolvida --
e Europa, onde ocorre o inverso.
"Não sei exatamente a que se deve este fato (a boa
situação da América Latina), mas é possível perceber que é ali onde as pessoas
parecem mais felizes, e talvez se deva ao maior equilíbrio entre
desenvolvimento e meio ambiente", disse o autor do estudo.
Apesar das boas vibrações transmitidas pelo bloco latino, a
situação global mostrada pelo relatório da WWF é desanimadora. Por exemplo, o
número de espécies de animais vertebrados caiu 30% nos últimos 33 anos.
O rastro deixado pelo homem é tamanho que "são
consumidos recursos em tempo muito rápido, que impede a Terra de
recuperá-los", disse o diretor-geral da WWF, James Leape, que também
participou da apresentação do relatório em Pequim.
O "rastro ecológico" do homem, seu consumo de
recursos, triplicou segundo a WWF entre 1961 e 2003, por isso o ser humano já
pressiona o planeta 25% a mais do que o processo regenerativo natural da Terra
pode suportar.
Além disso, há uma piora da situação, apesar de esforços
como o Protocolo de Kioto. No relatório da WWF anterior, publicado em 2004, o
impacto do homem ultrapassava em 21% a capacidade de regeneração do planeta.
O novo relatório da organização coloca na "lista
negra" de países com alto consumo per capita de energia e recursos os
Emirados Árabes Unidos, EUA, Finlândia, Canadá, Kuwait, Austrália, Estônia,
Suécia, Nova Zelândia e Noruega.
O fato de o relatório ter sido apresentado na China mostra a
importância que a WWF dá ao futuro da economia asiática, pois a forma como
escolher se desenvolver "é fundamental para que o mundo avance rumo ao
desenvolvimento sustentável".
Apesar de China ser o segundo maior emissor mundial de gases
poluentes, devido à grande população seu "rastro ecológico" per
capita é muito baixo em comparação aos países mais desenvolvidos, o que ocorre
também no caso da Índia.
O especialista Jiang Yi, da universidade pequinesa de
Tsinghua, disse no ato realizado em Pequim que uma das chaves para melhorar o
consumo de recursos e energia na China é "desenvolver um sistema rural de
equilíbrio energético" e investigar alternativas de calefação e ar
condicionado para as casas chinesas.
Fonte: G1
Fonte: G1
