Domínio da internet, separação entre ricos e pobres

Por Antonio Silva



A lógica como sempre será a do mercado livre, mas com a segurança do Estado Público. Assim, não é difícil se enriquecer com determinados produtos, como o de informação, essencial no mundo moderno. Não dá para dormir no espaço cibernético



Como sempre parece que a sociedade não está bem informada, sobre a votação no Congresso do chamado marco da Internet, o que é vital para o processo de trocas de informações, através da rede de computadores. Assim, como há uma grande concentração de meios de comunicação em poucas mãos, de grandes empresários, brasileiros e estrangeiros, o espaço virtual vem sofrendo uma tentativa de monopólio, com resultados econômicos e domínio de alguns grupos.

Com exceção de grandes centros urbanos brasileiros, em que há maior nível salarial, o Brasil é muito, mas muito, mal servido pela internet. Para publicar este texto dependo da operadora local, que presta serviço aquém do desejado (para um mundo de tecnologias da informação) na cidade de Barra do Garças (MT), e sem concorrência (internet a cabo). Sozinha no atendimento público dá as cartas, com velocidade que se assemelha a da era usada no início da rede virtual.

Mas não é tudo, apesar da possibilidade de aumentar velocidade, com majoração de preço proporcionalmente, prefere manter a quantidade de bits reduzida, considerando - pelo que se entende - obter mais rendimentos, pulverizando sua estrutura com milhares de usuários - ao que parece, uma questão estratégica de lucros. Como não há ampliação de sua estrutura, existe uma demanda que não é atendida, criando domínio sobre a oferta. No final, um desrespeito com o usuário da internet, meio que se tornou indispensável.

Desta forma, considerando que vivemos no tempo do livre mercado, ou capitalista, por onde passam inclusive as campanhas eleitorais, não seria difícil acreditar em aprovação de normatização, que não interessa o público usuário. Um dos exemplos é a taxação maior daqueles que usam mais a rede, como para baixar filmes, acessar a vídeos, enfim.

Ora, o que se propõe é criar uma separação entre classes de pessoas. Diferenciar aquelas que podem pagar e ter informação e outras, sem renda - estas que estão inseridas num país conhecido pelo distanciamento entre ricos e pobres, o que se busca manter.

A lógica como sempre será a do mercado livre, mas com a segurança do Estado Público. Assim, não é difícil se enriquecer com determinados produtos, como o de informação, essencial no mundo moderno. Não dá para dormir no espaço cibernético.

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Antonio Silva é Jornalista e professor da UFMT, Campus Araguaia.

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