Por Antonio Silva
Mas se é feriado, vamos comemorar.
Viva a política do povo brasileiro que se salvou da monarquia portuguesa
e vive com satisfação as intensas relacionais com os Estados Unidos da
América, na ré(s) pública globalizada
Os feriados são bem vindos. Significa no final um bom dia de descanso. Muitas pessoas, incluo-me neste cipoal, nem sequer sabem qual a razão dos dias de folga do trabalho – vivem-se intensamente. São tempos de viagem com a família e ponto. No caso do dia 15 de novembro, tive dificuldade de entender o que significaria res publica. Por não entender de Latim pensei que se tratasse de algo que tem a ver com governo, com política.
Depois de muito tempo na escola, realmente descubro se tratar de um sistema de governo que é eleito pelo povo, ou seja, uma democracia em que a multidão, formada por milhares de indivíduos ocultos, decide qual representante deseja, para cuidar de sua vida, da família, dos seus interesses no cotidiano.
O mais interessante é imaginar que o período anterior a esta data certamente seria muito ruim, porque se precisa, ainda nos dias atuais, comemorar o tempo da mudança. Então, no passado o povo não tinha vez e nem voz, na escolha de seus representantes na política. A monarquia brasileira seria, portanto, uma imposição sobre os milhares de brasileiros, entre eles os que já viviam aqui e os que chegaram. Mas o rei também veio de fora, mesmo assim decide que o Brasil é seu e vamos em frente.
No caso de nosso país, torna-se difícil compreender as coisas. Laurentino Gomes escreveu um livro, publicado recentemente, com o nome “1822″ e logo na sua introdução afirma categoricamente que os portugueses, pátria do Rei, teve uma grande importância no desenvolvimento da chamada civilização tupiniquim, brasileira. Destaca que a razão de o país ser livre e democrático se relaciona com a confusão e disputas das elites de Portugal durante o reinado no Brasil. Será que o ex-redator de Veja, principal revista brasileira, tem razão?
O cinema e a escola, no entanto, afirmam que a realeza era maluca – descompensada como diria alguns, mais sinceros. D. João gostava tanto de frango que até guardava pedaços no bolso para se nutrir mais tarde. Ainda mais, passado tanto tempo ainda se comemora o fim da monarquia no Brasil – estranho, no mínimo. Diante das contradições parece justo acreditar que ocorreram muitas lutas no país até que os portugueses fossem embora e deixasse a nação atrasada, e com seus eternos problemas para os tupiniquins resolverem. O povo venceu e se fez política – deve ser a tal república.
Depois de muito tempo tentando entender o termo, que para muitos significa mais participação do povo, pode chegar-se à conclusão apressada de ré pública (e não res publica). Algo assim, se imagina que está caminhando para frente (mais gente discutindo a nação), mas se descobre que somente alguns dão as cartas e a coisa anda mesmo é para trás. Exemplos não faltam.
Ditadura na res pública
Nestes dias que passam a imprensa informa que há peritos internacionais no sul brasileiro responsáveis pela exumação dos restos mortais de João Goulart. Um político que se aproximou do povo, da res pública, mas foi deposto pela elite econômica da época, com apoio dos grandes empresários nacionais e internacionais, com apoio público da imprensa, a chamada grande empresa de comunicação, que forma a opinião pública.
Não é certo, mas será que há algum vestígio de povo neste caso? Pois, logo depois veio uma ditadura, o que significa menos povo e mais autoritarismo, muito gente morrendo, etc. Nestes anos de chumbo, certamente, se comemorava o 15 de novembro, como um dia para se lembrar do povo no poder. É mesmo estranho.
Finalmente, cada vez mais vai se tornando difícil entender as coisas – mesmo com o auxílio dos mestres na escola do povo. A cada ano que passa mais pessoas fazem protestos na rua, greves para defenderem-se contra perdas salariais e boa parte dos representantes do povo na coisa pública aparece com mais recursos, com benefícios que a maioria não recebe.
A miséria parece que não acaba, mas a coisa pública está lá, firme e forte, como um esplendor, cheia de dinheiro e cada vez com menos cheiro de povo. A luta continua, como se pode ver no Jornal Nacional, com cenas de guerras nas grandes cidades brasileiras.
Mas se é feriado, vamos comemorar. Viva a política do povo brasileiro que se salvou da monarquia portuguesa e vive com satisfação as intensas relacionais com os Estados Unidos da América. Uma pena que não fala português, mas se é bom para nós está bem, pelos menos estamos nos globalizando, na ré pública.
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Antonio Silva é professor da UFMT, Campus Araguaia.