CMI: o coletivo que fundou o ativismo digital

Como uma intensa onda de manifestações originou o Centro de Mídia Independente, coletivo de ativistas e jornalistas que mudou a cara da mídia na internet e tornou-se embrião das redes sociais que usamos hoje

por Tatiana de Mello Dias

Editora Globo
POLICE ON MY BACK: Ativistas fogem da polícia em protesto antiglobalização em Gênova, na Itália, no dia 20 de julho de 2001.
Evan Henshaw-Plath, ativista desde o final da década de 1990, estava envolvido na criação de redes online para reunir protestantes — chegou a ter uma chamada Damn (Rede de Mídia de Ação Direta, na sigla em inglês) — quando soube dos protestos contra a Organização Mundial do Comércio em Seattle, em novembro de 1999. Chegou na cidade, começou a trabalhar como voluntário com os grupos anticapitalistas, hackeou servidores e enfim escreveu as primeiras linhas de código do site que seria o veículo de comunicação dos protestantes. Não foi fácil. Direto de Seattle, eles tiveram até de colocar barricadas na porta para impedir a entrada da polícia no ambiente em que eles programavam e noticiavam os protestos.

Surgia ali não apenas um veículo de mídia independente, mas o primeiro site que permitiu às pessoas reportarem o que estava acontecendo sem precisarem de intermediários. “A autopublicação nasceu com o Indymedia”, diz Pablo Ortellado, um dos fundadores da versão brasileira do coletivo, o Centro de Mídia Independente (CMI), e hoje pesquisador da USP. “A ideia foi fazer um site de mídia que mostrasse as nossas lutas. É diferente de montar um coletivo de mídia. Nós precisávamos do nosso próprio veículo”, conta Elisa Ximenes, membro do coletivo brasileiro. Hoje são mais de 160 sites em todo o mundo.

A fagulha ideológica veio do movimento zapatista e do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), grupo mexicano que lutava contra o neoliberalismo e defende a democracia direta. O subcomandante Marcos, porta-voz do EZLN, divulgou a defesa que tais manifestações deviam ter sua própria mídia — e foi isso que inspirou a criação de um site, ainda rudimentar, que servisse para os manifestantes do movimento antiglobalização noticiarem suas lutas. Mais


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