Cabeça acima do pescoço

Por Antonio S. Silva

Palácio do Planalto, brasil, reforma política, eleições, dilma rousseffA cada dia fica mais evidente a posição das empresas de comunicação no meio político. Nada a acrescentar. Melhor que um grande jornal mostre sua posição ideológica


No Brasil duas coisas se revelam urgentes e importantes para um amplo debate: o financiamento público de campanha e a democratização dos meios de comunicação. Sem política com liberdade e o direito ao uso da voz, para o diálogo em torno das questões econômicas e sociais, não é possível um país avançar com igualdade.

O tempo se mostra com muitas nuvens para temporais que podem resultar em inundações em diversas áreas.

Qualquer candidato sabe que não é possível fazer campanha sem recursos, e quanto mais poderoso e conhecido o postulante, principalmente se carrega bandeiras impopulares, mais carece de verbas para criação de uma boa imagem.

Na realidade uma conquista do eleitor através da mágica televisiva e a alegria do rádio. Para estes nomes sempre há grandes empresas com carinho e desejo de financiar com altos valores – uma questão de ordem. Um negócio que no final atinge o bolso dos brasileiros, quem na verdade paga a conta – e se submete.

Neste sentido, se há uma perspectiva política de transformações, na busca de igualdade social, é ceifada logo no processo eleitoral, quando se define os nomes que tem condições financeiras para por a campanha na rua. Um candidato marginalizado pelos empresários deverá sofrer o suficiente para morrer na praia. Ou mesmo quando vence suportar, os inúmeros amigos das grandes empresas nacionais e mesmo internacionais, fazendo o jogo econômico na oposição.

Nesta ordem, a política se torna apenas mero meio para se definir uma estrutura, na qual todos dependem e vivem. Na realidade, o financiamento de campanha por empresas privadas, mas pago com dinheiro público, serve ao propósito da desigualdade, a altura dos grupos que podem se arriscar na roleta da política – Avião de luxo para cachorro não se faz apenas uma metáfora. No final um substancial ganha ganha privado e um perde perde social.

Sendo assim, torna-se necessário um amplo debate sobre o tema, de modo a permitir a política como espaço de representação da sociedade; na igualdade de condições. Lugar pelo qual todos devem valer o mesmo peso, como cidadão, cuja ordem se define pela maioria. O homem pobre marginalizado também vive na ordem burocrática do Estado.

Um assunto puxa o outro


A cada dia fica mais evidente a posição das empresas de comunicação no meio político. Nada a acrescentar. Melhor que um grande jornal mostre sua posição ideológica, de modo a permitir que o leitor forme preconceitos das notícias publicadas – isto é jornalismo.

Não se deve pensar, entretanto, um país em que apenas alguns grandes grupos econômicos reproduzam suas ideias. Outras instituições representativas da sociedade precisam ter voz, no sentido de abrir diálogo.

Esta situação vai se tornando insustentável no Brasil. Repete-se a cada dia nas ruas a desconfiança com diferentes órgãos de imprensa, que fazem ouvidos ocos para as afirmações populares.
Em determinadas circunstâncias sinalizam, mas não vão além de estratégia de encontrar o silêncio e a passividade. Um erro estratégico, pois forma-se um desejo latente, que um dia aflora – audiência é sinônimo de lucros.

Infelizmente vários países da América Latina fez seu dever de casa, mas os governos brasileiros continuam conivente com os desejos da concentrada imprensa nacional, sem arredar o pé da realidade hereditária.

Não seria sem razão a vultosa quantia de verbas públicas que a União despende com as principais redes de comunicação do país. E os pequenos jornais, rádios e TVs espalhadas pelos rincões? Neste critério é difícil imaginar e sonhar com um governo voltado para o social. A rigor, não se vive somente de casa e comida – perdoe-nos a ironia, mas cabeça acima do pescoço existe…

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Antonio S. Silva é professor de Jornalismo da UFMT - Campus Araguaia.

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