A Pró-Reitora de Ensino de Graduação (Proeg) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Irene Cristina de Mello, encaminhou, no dia 10 de junho, aos diretores de unidades uma proposta que trata da distribuição dos encargos didáticos dos docentes do ensino superior. Um dos pontos mais preocupantes é a ameaça de aumento da carga horária dos professores em sala de aula, de oito a 10 horas para contratos de 20 horas e de 12 horas a 16 horas para contratos de 40 horas. A proposta da reitoria da UFMT também reduz o tempo para preparação das aulas de 1h30 para 1h e muda a dinâmica de orientação de aluno.  Se aprovada, reformará a Resolução Consepe 158, que normatiza, desde 2010, essas atividades.

Confira a Resolução aqui e a proposta da Proeg em anexo.

A Pró-Reitora esclarece, no informe encaminhado, que a proposta foi tirada em reunião dia 03 de junho/2013. Segundo ela, servirá “somente para iniciar as discussões”, mas esse anúncio traz imediatas preocupações por parte da direção da Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT S.Sind.). Pelo histórico na UFMT, o temor é que este não seja somente o início da discussão e sim o indicativo de que uma decisão já está tomada pela cúpula administrativa, e a referida proposta passaria pelos departamentos, somente para ser legitimada.

“Vamos atender à ampliação de vagas de alunos com o mesmo corpo docente que a gente tem?” – indaga o presidente da ADUFMAT, Carlos Roberto Sanches, que orienta a categoria a ficar atenta a essas possíveis discussões nos departamentos. “Nosso medo é que de repente venha uma decisão que nos prejudique ainda mais”.

Conforme Sanches, o modelo produtivista imposto pelo Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni) perpetua de várias formas, dentro das universidades públicas, a exploração do trabalhador, que neste caso é o docente.

Docentes de Sinop estão indignados com a proposta e já sinalizam uma greve caso isso entre em pauta no Consepe. “Nós aqui já estamos no limite e esse era o tom da reunião que fizemos para tratar do assunto”, afirma a professora de Biologia Gerdine Ferreira. “Até onde eu sei nenhum dos mais de 200 professores daqui ficam menos de 12 horas em sala de aula. Aqui faltam docentes e já avisaram que não vão contratar mais”. Gerdine também revela que vivenciam em Sinop outro problema grave. “Temos que resolver até problemas administrativos, porque faltam recursos humanos, e também problemas técnicos, como, por exemplo, em laboratórios que não contam com servidores técnico-administrativos”. Os docentes de Sinop estão elaborando uma carta de reação contrária à proposta.


A próxima reunião da Proeg está agendada para o dia 20/06/2013, próxima quinta-feira, as 08h30, na sala dos Órgãos Colegiados.

por Keka Werneck, da Assessoria de Imprensa da ADUFMAT S.Sind.

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