Nós também temos interesses que podem não ser
encontrado no sistema que se impõe, seguido pelos veículos que vende
publicidade e difundem ideias. O seu produto no mercado é a notícia
Por Antonio S. Silva
A mídia é indispensável no nosso dia a dia, a tal ponto de não viver sem informações, importante tanto quanto o alimento que ingerimos cotidianamente para nos mantermos com saúde física. Entretanto, é importante observar como estes produtos são acessados e observar a origem.
Os meios de comunicação de massa, como qualquer empresa de mercado, visa plenamente obter resultados. Se no mercado, o lucro; se na política defender os seus interesses estruturais, que no futuro resulta em ganhos financeiros. No final, a meta é o dinheiro, mas para tanto precisa de consumidor, que somos nós, leitores.
O que se vê muitas vezes é que somos dirigidos pelas mídias dos grandes centros econômicos. No Brasil, mais precisamente de São Paulo e Rio de Janeiro, que todos os dias definem aquilo que teremos conhecimento no dia seguinte.
Fatos que passamos a conhecer, seja na política, na economia, na beleza, na cultura através destes canais onipresentes, sem os quais nada existe, nem mesmo a possibilidade de saber sobre nós mesmos e a nossa realidade.
Alguém pode dizer que cada jornal, na sua região trabalha com os assuntos daquele lugar, o que pode não ser verdade, pois grande parte dos temas tratadas nas mídias locais vem, em grande proporção, destes grandes jornais, inclusive das principais redes de televisão.
Como exemplo, por muito tempo o Brasil foi dependente do modo de pensar da Rede Globo – que hoje administrativos diversos tipos de mídias, para todos os gostos -, a qual obtinha mais de 70% da audiência brasileira, no seu espaço nobre. Número a ser considerável, sendo que nem todos poderiam acessar o veículo em determinado horário.
Como o Brasil é territorialmente imenso as informações veiculadas por estas grandes mídias servem somente como pontos de luzes sobre determinados fatos sem aprofundar, muitas vezes que resultam em interesse em definir ideias, consensos que está na ordem do público.
Se o assunto diz respeito a determinadas pessoas que é vista como modelo para a sociedade não se fala ou minimiza o caso – desta forma se critica veementemente um ministro do STF e elogia outro, com direito a entrevistas em horário nobre, em páginas amarelas.
No mundo político não existe apenas um lado, na maioria das vezes, diversos. Os menos fortes
economicamente e mal vistos pelos donos de mídias não aparecem no noticiário. Eis uma verdade. Não seria por outro motivo que Fidel Castro é visto como Ditador e Maduro não ganha espaço nos telejornais quando vem ao Brasil e Hugo Chávez recebe Status de demônio.
O Contrário ocorre com o presidente dos Estados Unidos, da Inglaterra, por exemplo. Compramos aquilo que nos colocam à mostra. Debaixo do balcão pode haver mais coisas.
Não há dúvida que os jornais do interior do país – diga-se, fora do sudeste ou eixo Rio-São Paulo – mantem o pensamento absorvido do centro, parecendo que se contrariá-lo significa ficar à margem de um sistema, que não se sabe sua essência.
Ser de esquerda nem pensar, mas não pode se passar por direita, pois precisa da audiência que não aceitaria de bom grado a defesa de grandes empresários, que usam mecanismos para a ordem no poder econômico. Como é o caso de Bangladesh, com fábricas que desmoronam em cima de trabalhadores, explorados com baixos salários de reconhecidas grifes.
Neste sentido, o melhor que se tem a fazer, seria ler mais de um jornal, comparando-os, além de se posicionar quanto aos fatos sociais. Na modernidade há um bom aliado para a defesa dos interesses da maioria, a rede social.
Portanto, devemos salvaguardar a importância da grande mídia nacional e internacional, mas não devemos acreditar que somos apenas receptores acéfalos.
Nós também temos interesses que podem não ser encontrado no sistema que se impõe, seguido pelos veículos que vende publicidade e difundem ideias. O seu produto no mercado é a notícia.
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Antonio S. Silva é jornalista e professor universitário (UFMT, campus Araguaia).