Uma das maiores ansiedades que noto nos estudantes de
Metodologia da Pesquisa Científica é a quase obsessão por "mudar o
mundo" com o trabalho de pesquisa a ser realizado. Trato de acalmá-los com
um argumento muito simples, mas, de fácil comprovação: com o tempo que as
agências de fomento destinam à conclusão dos mestrados e doutorados, o máximo
que se consegue é a "pesquisa possível", nunca, a "pesquisa
ideal". Em são consciência, alguém considera que é ideal uma pesquisa ser
construída em apenas dois anos, como é o caso do Mestrado, no Brasil, se ainda
tem de cursar disciplinas? Covenhamos, está mais para engodo institucionalizado
do que para uma cobrança racional e justa
Da mesma forma, quem considera
plausível a maturação de uma ideia, capaz de gera uma tese (inédita), em meros
três anos de dedicação ao Doutorado? Hoje, no Brasil, o que se tem, em verdade,
é uma espécie de "corrida maluca" para se cumprir prazos e se
enquadrar nos critérios estabelecidos pelos pares que fazem parte dos Comitês
da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Não sou
daqueles que advogam a ideia que devemos "rasgar o regulamento" e
romper com a Capes. Penso que temos de tê-lo à mão o tempo inteiro. No entanto,
não podemos simplesmente aceitá-lo, sem criticá-lo ou tentar melhorá-lo. Da
forma como estão estabelecidos tais prazos e como obedecemos piamente a
"lei do produtivismo", caminhamos para uma pesquisa padronizada,
pasteurizada e em quantidade, porém, de baixa qualidade. Entendo que precisamos,
urgentemente, nos aproximar da pesquisa ideal e deixar de lado,
definitivamente, a pesquisa possível.
