Afinal, quem é Nicolás Maduro?
Uma figura construída por Hugo Chávez já num período de doença avançada.
Nem mesmo assim, a oposição conseguiu tomar o poder no país
Por Antonio Silva
Compreender
a razão da quase ausência da grande mídia na cobertura da América
Latina é compreensível. Trata-se de uma região que se revela fora do
modelo de gestão pública dos centros econômicos mundiais. E não poderia
ser de forma diferente, afinal, possui identidade e cultura que não se
organiza simplesmente em torno dos valores econômicos – mantém suas
tradições e valores.A região passa a ser vista por políticos tacanhos e incapazes de promover o desenvolvimento. Sobre esta visão de mundo que os jornalões observam as eleições na Venezuela. Uma oportunidade de mudanças para o mercado para a ordem (da sociedade) e progresso (econômico); para isso depende da redução das ações do Estado (bem-estar-social).
Como não se vê jornalistas cotidianamente nos países latino americanos, como ocorre nos Estados Unidos e Inglaterra, além dos uma meia dúzia de países europeus, não seria razoável acreditar que a mídia brasileira conheça a América Latina. Apenas a observa conforme os valores estabelecidos pelo velho mundo e Agências norte-americanas, com interesse na política e economia desses países, considerados periféricos e produtores de matéria prima.
Portanto, razoável acreditar que as imagens de contestação (e desconstrução) aos governos populares na região sejam permanentes. Diferentemente dos candidatos favoráveis às lógicas pro-mercado, que recebem incentivos financeiros para suas campanhas e prometem mudar o sistema de governo.
Os governos eleitos são vistos como primitivos e incompetentes, seja qual for, desde que defenda o poder do Estado, e sinalize promover o social em detrimento do mercado globalizado. Mas há um fato, não há controle da visão dos populares que votam e gritam palavras de ordem, que continuam favoráveis aos governos pró-estado.
A pouca distancia entre Maduro e Capriles na Venezuela apenas revela o quanto à oposição tem pouca adesão de populares para os seus projetos. Afinal, quem é Nicolás Maduro? Uma figura construída por Hugo Chávez já num período de doença avançada. Nem mesmo assim, a oposição conseguiu tomar o poder no país, o que foi tentado por outros meios, como sequestro de presidente e diversos tipos de boicotes externos.
O que resta aos latino-americanos é continuar na batalha para reconhecimento de seus interesses regionais e locais (valores e cultura), enquanto a publicidade insiste em chegar de fora, com o poder do econômico e não de identidade regional.
Antonio S. Silva, Jornalista e Professor Universitário (UFMT, Campus Araguaia).