Acredita-se
que de seu lado o eleitor faça também seu jogo e apostas. Nada vale sem o
convencimento da massa heterogênea, que sabe onde apertam os cintos do sistema.
No Brasil deixa sem fôlego e comida
Por Antonio Silva
A política não é um lugar que se entende na superfície. No subterrâneo é estão às negociações mais interessantes e perigosas, diga-se. Como exemplo claro do jogo duro que se estabelece foi a aproximação do Ex-presidente Lula com Paulo Maluf em São Paulo para as eleições de Fernando Haddad (PT), tão criticado pela imprensa.
No final, com o apoio da paróquia conservadora malufista o petista venceu as eleições e criou uma tremenda dor de cabeça para os Tucanos paulistas, que perdem lugar ao sol no próprio ninho. Afinal, é a principal cidade que concentra maior popular do Brasil e com economia forte. Dilma Rousseff (PT) também vem fazendo seus lances para 2014, com a crítica estratégica da grande imprensa brasileira partidária.
A sinalização do governo para abrigar o PR e PDT e outros partidos sinaliza a organização de apoio partidário, sem o qual não seria possível ganhar musculatura para enfrentar a oposição com vantagens. No atual sistema quem tem a máquina usa como pode, no sentido de se manter no poder. Como também é o caso da oposição que busca com certo desespero a ajuda dos grandes empresários com vistas ao financiamento das campanhas eleitorais.
Daí possivelmente a atual oposição seja contra o financiamento público das eleições. O jogo é jogado (perdoe o lugar comum) e vence quem tem mais bala na agulha.
Como se pode notar nem sempre as coisas estão na aparência, de modo a vencer aquele que a sociedade quer que vença, definindo sua eleição nas urnas, mas passa pelo crivo da composição e conhecimento das regras do jogo. Verdade que tudo isso se encerra nas eleições, instante que são contabilizados os votos. Mas até lá muita água corre por debaixo da ponte política. O que é interessante, muitas vezes volta no mesmo lugar, sem muitas mudanças, com prejuízos para os navegantes, o cidadão.
Neste sentido, o discurso politicamente correto pode ser uma estratégia de desqualificar o adversário para obter resultados particulares e pontuais. Mas um fato precisa ser destacado, os conservadores não conseguem esconder suas propostas, assim como os progressistas, mesmo que ambos os lados se transvestem de cordeiros para estar entre o povo ordeiro, como “inocentemente” imaginam.
Acredita-se que de seu lado o eleitor faça também seu jogo e apostas. Nada vale sem o convencimento da massa heterogênea, que sabe onde apertam os cintos do sistema. No Brasil deixa sem fôlego e comida.
Antonio S. Silva, Jornalista e professor universitário (UFMT Araguaia).