Gênero que leva às salas do país, em média, dois milhões de espectadores por lançamento gerou receita de R$ 500 milhões na última década.
Quase
120 depois de os irmãos Lumière terem rodado ‘O regador regado’, considerado o
primeiro filme de ficção do cinema, a comédia se afirma como o gênero mais
popular e industrialmente poderoso do mundo. No Brasil, ela encontra território
para alavancar a indústria nacional.
A nova
comédia brasileira, como o movimento tem sido chamado, leva – em média – dois
milhões de espectadores ao cinema a cada lançamento. Nada menos que 96% de toda
a renda bruta do cinema nacional vêm hoje do humor. Na última década, geraram
receita de R$ 500 milhões e, no ano passado, garantiram as cinco maiores
bilheterias nacionais.
O
primeiro filme do gênero de que se tem notícia no Brasil é ‘Nhô Anastácio
chegou de viagem’, dirigido por Mark Ferrez em 1908. Mas foi só a partir da
década de 1930, com as chanchadas, que a comédia se tornou popular. Os
longas-metragens do movimento foram capazes de formar plateia e competir com as
produções estrangeiras que sempre dominaram o mercado.
É a
esse período, que durou até os anos 1950, que a atual fase do cinema brasileiro
vem sendo comparada, a ponte de ter surgido o termo ‘neochancada’, que soa mais
como brincadeira do que consenso. “Quando a gente fala de neochanchada, a gente
pode pensar sobre o viés ruim, de filmes mal feitos, sem ambição, ou sobre o
viés positivo, de filmes que têm comunicação com o público, que fazem sucesso”,
destaca Rafael de Luna, professor de história do cinema brasileiro da
Universidade Federal Fluminense.
Diretor
de cinema e também da Filme B, maior banco de dados da indústria de cinema
nacional, Paulo Sérgio Almeida chama atenção para as diferenças nas estruturas
narrativas. “No tempo da chanchada, a comédia era baseada em um humor fácil.
Hoje, é baseada em uma dramaturgia ou em novos roteiristas e diretores que
estão construindo essa nova comédia”, avalia.aentre 2012 e 2013. “A comédia é o
gênero que sustenta a indústria do cinema no mundo. A principal razão para o
sucesso é que foi o primeiro gênero que conseguiu se profissionalizar no cinema
brasileiro, entrar em um ritmo industrial de produção”, acredita ele.
Wainer
aponta que o ator que protagoniza o filme é um ingrediente fundamental para o
êxito nas bilheterias. “É uma geração de comediantes da televisão, do teatro,
da stand-up comedy e mesmo da internet que tem chegado aos primeiros filmes e
há um certo desejo do público de ver no cinema esses jovens comediantes”, diz
Rafael de Luna.
Leia a íntegra no G1.

