Por Antonio Silva
Os latino-americanos já observaram, certamente, como a América Latina ganha destaque nos meios de comunicação, de alguns anos para cá. Não se trata de uma capacidade maior das mídias de chegar a vários lugares e ao mesmo tempo.
O fato é que há uma grande preocupação política com a região, que consegue se desenvolver e oferecer mais qualidade de vida à população local, apesar dos entreves de suas economias e gestão pública.
A independência da América Latina dos grilhões econômicos internacionais vai ganhando solidez, por isso, o surgimento de governos que sinalizam para a demanda das comunidades locais. O que pode ser visto no Equador, Bolívia, Argentina, Venezuela, Brasil e demais países.
O debate em torno do posicionamento político dos latino-americanos gera desconforto aos grandes centros econômicos, que não vivem os melhores dias, com suas economias dependentes de consumidores de outros países – Mercadoria-consumo-capital/riqueza nacional.
Não se pode dizer que somos quintal dos Estados Unidos, com certa tranquilidade. Há uma articulação entre os países da região em torno de seus propósitos de independência, sendo que cada qual busca o seu caminho e sinaliza proximidade no bloco regional.
Não seriam sem razão as imagens de vários presidentes que compareceram à Venezuela para ratificar vitória eleitoral de Nicolás Maduro; e até mesmo para retirar o Paraguai do MERCOSUL, em virtude das lógicas políticas do grupo.
Em essência, as coisas acontecem e a tendência é de as medidas protecionistas da região e as tentativas de exploração das grandes potências continuarem. Afinal, não se larga o osso assim, simplesmente.
Infelizmente muitos dos grandes jornais reproduzem as ideias de desenvolvimento apregoadas pelas economias centralizadas, submetido a este discurso que enxergam estrategicamente o mundo. Não é, de fato, o mesmo espelho que os latino-americanos se veem.
Antonio S. Silva, Jornalista e professor universitário - UFMT, Campus Araguaia.