A política tem os seus dilemas, riscos e
incertezas. Sendo assim, é aguardar para ver o que vai dar. Neste momento,
conforme Datafolha, Dilma aparece com 58% das intenções de voto e Campos com 6%
por Antonio Silva
O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), tem uma dura missão pela frente, de se viabilizar politicamente em um momento delicado, quando é preciso se formar uma oposição ao governo federal. Como Lula da Silva vem arquitetando o jogo político, diante de sua popularidade e aceitação entre a maioria mais carente do país, coloca dúvidas sobre o futuro até mesmo dos aliados.
Restam duas alternativas para um novo nome que se quer projetar e se vê numa boa performance, numa oposição sem identidade e discurso.
Como Dilma Rousseff (PT) não sinaliza deixar o poder fora dos dois mandatos, com Estado forte, parte dos grandes empresários liberais, donos de grandes fortunas, querem no poder entra em campo em busca de um governo mais liberal, que possa concorrer com a dupla Dilma-Lula. O eterno garoto mineiro e carioca Aécio Neves (PSDB) parece não ser confiável, no sentido de chegar ao pódio.
A cara do PSDB das antigas, sem carisma o suficiente para arrebanhar multidões, seria o adversário que o PT deseja.
Então, resta alguém de fora dos domínios empresários. Surge Eduardo Campos, de um pequeno partido de tendência socialista, parceiro do governo federal nos projetos sociais, que na oposição poderá tirar votos de Dilma Rousseff e até mesmo ganhar as eleições, com certo otimismo da turma.
Se isso não ocorrer vai ganhando corpo para o futuro, mas desde que afina o seu discurso com o empresariado brasileiro, que nunca está para brincadeiras. Basta notar José Serra (PSDB), mesmo sem atingir seus objetivos eleitorais com um discurso de direita e liberal, não arredou o pé da conduta de um governo para o desenvolvimento econômico e privatista.
Mas é fato que Campos corre risco de fazer água, como ocorreu com Ciro Gomes (PSB), que um dia chegou bem perto, mas não conseguiu atingir o alvo. Hoje é uma figura emblemática, forte na região do Ceará, mas com dificuldades de convencer os brasileiros para sua viabilidade na política nacional, e muito polêmico para se aliar aos afortunados do pibão.
O governador de Pernambuco tem uma herança de esquerda vinda do avô, Miguel Arraes, que o aproxima de um grande número de pessoas carentes, no nordeste brasileiro. Inclusive se tornou um mito da política socialista na região. Se perder esta estrela, para outra de brilho mais intenso, como proposto pelo empresário, poderá não tão reluzente como gostaria. A luz certamente não chegará a uma maioria.
A política tem os seus dilemas, riscos e incertezas. Sendo assim, é aguardar para ver o que vai dar. Neste momento, conforme Datafolha, Dilma aparece com 58% das intenções de voto e Campos com 6%. Mais à frente Aécio Neves com 10%. Já Marina Silva com 16%, ocupa o segundo lugar, com fatia dos brasileiros que responde aos seus apelos justos sobre meio ambiente e sua sustentabilidade.
Antonio S. Silva é jornalista e professor universitário (UFMT - Barra do Garças).