por Gilson Monteiro
O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou recentemente
as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o curso de Jornalismo.
Com a mudança, os cursos não mais receberão o nome de Curso de Comunicação
Social, com habilitação em Jornalismo. Passam a se chamar Curso de Bacharelado
em Jornalismo. A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) antecipou-se ao
projeto do Governo e já denomina de Curso de Jornalismo desde o ano de 2009.
Não incorpora, porém, em seu Projeto Pedagógico de Curso (PPC) uma exigência
das novas DCNs: a do Estágio Obrigatório. Particularmente, aliás, como
professor de jornalismo e sindicalista atuante em tempos idos, sempre contra a
exigência do estágio obrigatório, considero um dos maiores retrocessos da
proposta aprovada exatamente.
O retorno da exigência do estágio obrigatório é
uma porta aberta para práticas patronais escusas. Em qualquer das áreas do
conhecimento, esse tipo de estágio necessariamente tem de ser supervisionado.
Até na área médica existe o problema da falta de "preceptores", ou
seja, de professores habilitados a acompanhar os estudantes no período do
estágio.
Essa é a única forma que um estágio se justifica como parte do
processo de formação profissional. Caso não, o que se produz, com a exigência,
é um exército de mão-de-obra barata e de alta rotatividade que, em último caso,
só beneficia os patrões, os donos das empresas. Sem contar que as instituições,
nem as públicas nem as particulares, possuem número suficientes de professores
para supervisionar estagiários. Oficializar-se-á, certamente, uma relação
medíocre e cínica: professores passam a fingir que supervisionam e estagiários
fingem-se supervisionados.
Oficializar este tipo de prática, a mim me parece,
um retrocesso sem tamanho. No campo das mudanças de nomes, pouco influem se o
processo de formação for o mesmo. E o retorno do estágio obrigatório deixa-me
com certo receio de que essa mudanças tão propagadas não passem de perfumaria.
Fonte: Ufam para o futuro