Ver “Toda Poesia” de Paulo Leminski nas estantes das
livrarias traz uma sensação de estar antigo no mundo. Pode parecer bobagem
porque já vi outros poetas contemporâneos com antologias definitivas nas
estantes. Com Leminski é diferente. Posso lembrar das lojas da Brasiliense ali
pelo centro de SP (eram várias em meados da década de 80), os livrinhos da
série “Cantadas Literárias”, os beats sendo lançados, as séries “Primeiros
Passos” e “Tudo é História” com as quais podíamos dar um tapa na ignorância
sobre alguns assuntos. Textos de sobre os quais apenas ouvíamos falar, enfim,
eram lançados.
Fonte: Klaxonsbc
Paulo Leminski
Paulo Leminski chegou nesse pacote de novidades, sua poética
das “coisas que aconteciam ao lado”, observações das coisas próximas,
facilitava a identificação; claro que com o tempo este Leminski se ampliou e
ficou grande demais pra caber num livrinho, e descobri que ele era muito mais.
Como dizia no início, a poesia toda de Paulo Leminski na
edição de “Toda Poesia” empresta uma sensação de estar antigo no mundo e de fim
de ciclo, bem provável que ele riria com escárnio desse “fim de ciclo”. O poeta
curitibano nos dava a sensação de que nunca ia acabar e ele realmente não acaba
à medida que acende e reacende em cada novo leitor, e em cada nova
descoberta/leitura de sua poesia faz valer sua máxima:
“em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você
que há em mim
é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós”
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós”
E vão acendendo novos e novos polacos…
Fonte: Klaxonsbc
