O imbróglio do apagão ou a arte de não dizer nada


Algumas fontes jornalísticas se especializam em não dizer nada quando entrevistadas. Personagens da política brasileira entraram para a história do enrolation. Perguntados sobre fatos graves, negativos, denúncias, eles desenvolveram a habilidade de driblar os jornalistas, tergiversar e nunca responder objetivamente.

Assim foi Leonel Brizola, raposa velha, com anos de vivência política, herdeiro de Getúlio Vargas e João Goulart, e que tinha extrema habilidade de lidar com a mídia, fugindo das saias justas. Outro especialista nesse tema, ainda na política, é o deputado Paulo Maluf. Perguntado sobre algo que não gostaria de responder, principalmente sobre sua reputação, ele consegue fazer um longo percurso retórico e não responder absolutamente nada. É o campeão do anti-lead, porque nem confirma, nem desmente. Jânio Quadros também, outro político populista, com habilidade de elocubrações vernáculas para fugir das respostas objetivas.

Mas o governo tem um herdeiro desses dois políticos, que está se especializando em conceder o que chamamos de  não-entrevistas. Trata-se do ministro Edson Lobão. Ao se explicar à imprensa sobre a possibilidade de haver racionamento de energia, em função dos baixos níveis das usinas hidrelétricas, ele traçou um quadro tão otimista que suscitou até uma dúvida. Mais