O futuro já é agora


por Susana Barbosa *

Os últimos 15 anos têm sido de grande explosão em relação às novas técnicas, ferramentas e mudanças quanto aos modos de se fazer jornalismo, bem como quanto à distribuição, circulação e consumo dos conteúdos jornalísticos. 

Recente relatório produzido por professores da Escola de Jornalismo da Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, apontam tais mudanças e como elas têm afetado a paisagem atual do jornalismo. Destaca, principalmente, que muito do que se apontava como o futuro para o jornalismo já se concretizou. Ou seja, o futuro já é agora!

Você, leitor e usuário, que (ou quase) lê jornal, sites noticiosos, informa-se via redes sociais, acompanha informações atualizadas in real time via celulares ou smartphones e acompanha os aplicativos em tablet das grandes marcas jornalísticas locais, nacionais e internacionais já faz parte do que se considera como novo ecossistema para os media. Ou seja, um contexto cada vez mais marcado pela publicação cruzada (cross media) em multiplataformas (impresso, web, redes sociais, dispositivos móveis...).

A convergência tecnológica há décadas vem favorecendo a inovação para as técnicas e processos jornalísticos e, do mesmo modo, para a diversificação dos modos de entrega da informação para o público. 

O desafio, no entanto, é manter-se atualizado nesse cenário marcado pelo digital e pelo lançamento de diversificados dispositivos que requerem das organizações jornalísticas ajustes constantes nas suas estratégias de atuação. Aquelas que ficam restritas a uma só plataforma sabem que, assim, limitam a sua operação, a circulação do seu conteúdo e pouco agregam de inovação às suas marcas – ao seu capital simbólico – e, do mesmo modo, restringem a sua audiência.

O equilíbrio entre credibilidade, qualidade da informação jornalística, inovação nas técnicas para assegurar melhor processamento e agilidade na distribuição dos conteúdos, bem como o acerto em modelos de negócio adequados, é o que organizações do mundo inteiro buscam para dar sustentação às suas operações.  

E um dos eixos de inovação atual para as organizações jornalísticas é o desenvolvimento dos chamados aplicativos (sobretudo nativos, originais) para tablets como o iPad e os que rodam sistema Android. Nos EUA, por exemplo, 90% das publicações já têm aplicativos para aparelhos móveis (smartphones e/ou tablets). 

Foi o que revelou pesquisa divulgada em dezembro da Alliance for Audited Media (Aliança para Mídia Auditada), entidade que mede a circulação impressa e tráfego on-line dos jornais e revistas norte-americanos. Os outros 10% informaram nesse survey que pretendem disponibilizar aplicativos nos próximos 12 meses. “As empresas de mídia sabem que a chave é distribuir conteúdo quando e onde os consumidores quiserem”, afirma Eric John, vice-presidente de serviços digitais da Alliane for Audited Media.

Na universidade, também vivencia-se o desafio para o ensino, a formação dos novos jornalistas e para a pesquisa aplicada em jornalismo. Nesse sentido, uma das ações que vêm sendo construídas na Facom é a investigação no âmbito do Projeto Laboratório de Jornalismo Convergente (Fapesb/CNPq) que prevê, para além da pesquisa do jornalismo no contexto multiplataforma, a criação de aplicativos nativos para tablets.

* Suzana Barbosa é jornalista e professora da Faculdade de Comunicação/Ufba