"Esse conflito é uma história de como o latifúndio opera”


      
       Xavante

Paulo Maldos é secretário Nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência e está na linha de frente no diálogo com os movimentos sociais, principalmente aqueles relacionados a conflitos no campo. No início de 2012, ele acompanhou a desocupação da região do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), e foi alvejado por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar.
Pouco antes, no final de 2011, ao visitar um tekohá guarani-kaiowa no Mato Grosso do Sul, chegou a ser ameaçado por fazendeiros. Agora, Maldos é o coordenador-geral do grupo de trabalho criado pelo governo federal para promover a desintrusão da terra indígena Marãiwatséde. Ele esteve na área e presenciou cenas de violência, racismo, discriminação. Em Brasília, durante o processo, percebeu como funciona a Casa Grande brasileira, cujo lobby em torno de Marãiwatséde serviu para mostrar de que maneira, historicamente, formam-se as grandes propriedades rurais: “É uma história de como o latifúndio opera. Ele vai para as cabeças dos três Poderes, pressionando. A mídia é um grande instrumento deles para contar a sua versão das coisas. E, em campo, utilizam a violência.”
Como porta-voz das ações do governo na desintrusão, Maldos faz um balanço de uma das mais importantes operações de retomadas de um território indígena em toda a história do País: apesar de homologada, os índios ocupavam menos de 10% da área, totalmente tomada por fazendas, controlada principalmente por 22 grandes fazendeiros. Para se ter uma ideia, na TI Raposa Serra do Sol, em Roraima, os principais ocupantes não-índios eram 7 arrozeiros em uma área cerca de 1% da reserva. Só na primeira semana, já foram retomados mais de 20 mil hectares em Maraiwatséde. “O Estado se organizar para prestar um serviço em defesa do direito originário de uma comunidade indígena é muito bonito”, disse Maldos. 

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