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| Em lugar nenhum do mundo... (copiado do jornal Valor Econômico, 27/08/12) |
1. O trimestre que serviu de base para a reportagem do Valor foi o segundo, período de baixa geral no rendimento de 60% das empresas que têm títulos na Bolsa. Só dois segmentos chamaram a atenção dos analistas por seu desempenho no sentido oposto: aluguéis e ensino superior.
2. No ensino superior só quatro empresas mereceram destaque:Anhanguera, Estácio, Kroton e Abril. Com exceção desta última, as outras três registraram crescimento na sua base de alunos (dizem os repórteres: "A falta de mão de obra qualificada abre espaço para um crescimento forte dessas empresas"). A Estácio cresceu 9,3% no primeiro semestre, relativamente a 2011; a Anhanguera, 31,4%; a Kroton, que adquiriu a Unopar e a Uniasselvi, todas no segmento do ensino à distância, mais de 400%.
3. Isso não é tudo. Igualmente notável tem sido a eficácia "e o sucesso na captação de sinergias" que ajudam a explicar "o bom resultado das redes de ensino". No final, todas ampliaram suas margens de lucros também em consequência de novas práticas operacionais, embora não haja qualquer registro do que venha a ser isso. De qualquer forma, a executiva de um desses grupos deixou escapar que "o principal custo dessas empresas é com o professor", o que pode significar que as "novas práticas operacionais" estejam caindo no colo dos docentes, em especial daqueles envolvidos com a EAD.
4. Em resumo, no panorama geral da rentabilidade das empresas, o que se vê na tabela acima explica o paraíso em que vive parcela do ensino superior privado, um desmedimento de riqueza financeira que mais parece uma piada diante do déficit de ensino e de pesquisa em que o país vive, uma espécie de húbris...
* Continue a leitura do texto de José Salvador Faro
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