O Proifes (Sindicato de Professores de Instituições Federais de Ensino
Superior) criticou hoje (23) a contraproposta feita pelo Andes-SN (Sindicato Nacional
dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) para encerrar
a greve dos docentes das universidades federais.
A contraproposta do Andes-SN já foi negada pelo governo, que reafirmou
que as negociações estão encerradas. No último dia 13, Ministério do
Planejamento, MEC (Ministério da Educação) e Proifes assinaram acordo fechando
proposta que prevê reajustes de 20% a 45% para os professores das federais.Para
o Proifes, a nova proposta é pior porque não valoriza a titulação do
profissional e pode prejudicar a progressão na carreira. Além disso, custará
mais do que a proposta que já foi firmada com o governo e consta no projeto de
LOA (Lei de Orçamento Anual), que será encaminhado ao Congresso Nacional.
“Se fosse uma boa proposta, a gente apoiaria a reabertura das
negociações. Mas ela é de péssima qualidade”, defendeu Gil Vicente Figueiredo,
da diretoria do Proifes, entidade que representa uma parcela menor da
categoria.
A presidente do Andes-SN, Marinalva de Oliveira, afirmou que na
contraproposta, os docentes abrem mão de aumento e dão preferência à
reestruturação da carreira. O documento pede que, a cada degrau de progressão,
os professores tenham ajuste de 4% - anteriormente, o percentual desejado era
5%.
De acordo com o MEC, entretanto, a proposta da entidade prevê um
investimento superior a R$ 10 bilhões, quando a proposta acordada com o Proifes
indica o investimento de R$ 4,2 bilhões até 2015.
Figueiredo criticou o modelo sugerido pelo Andes de abolir as chamadas
classes da carreira docente e substituí-las por níveis. Para o Proifes, a
contraproposta do Andes desvaloriza a lógica da titulação, em que o professor
irá receber salário mais alto quanto maior for o seu grau de formação, além de
dificultar a progressão para quem está no início da carreira.
De acordo com os cálculos da entidade, os professores doutores no topo
da carreira, com dedicação exclusiva, receberiam os menores aumentos. “A
proposta dá muito para quem não tem titulação e não incentiva o professor a
buscar uma formação melhor”, disse Figueiredo.
