“Às vezes, até ao desligar o interruptor de luz estamos influenciando no orçamento da Universidade”, disse a reitora da UFMT, hoje (07) de manhã, no auditório do Campus do Araguaia, em Barra do Garças. Ela falava aos dirigentes e representantes de professores, estudantes e técnicos administrativos sobre a execução orçamentária 2011 e a previsão orçamentária 2012, que deverá ser aprovada pelo Conselho Diretor. À noite ela terá um encontro com a comunidade desse campus, em Pontal do Araguaia.
A apresentação do orçamento começou no dia 25 de abril, em Cuiabá, em seguida foi realizada em Rondonópolis,dia 3 deste mês, e na próxima semana será em Sinop. “Agora, essa ação será freqüente, em março, abril, maio, de cada no, como forma de aproximar a comunidade universitária desse tema”, explicou a reitora.
De acordo com a pró-reitora de Planejamento, Elisabeth Aparecida Furtado de Mendonça, a matriz orçamentária é definida com base nas informações solicitadas das unidades acadêmicas, em fevereiro, quanto a números de professores e suas titulações; de estudantes matriculados e de formados; de projetos de pesquisa registrados e de publicações e sobre os espaços físicos, por exemplo. Por isso, cada vaga ocupada, cada aluno formado, cada artigo publicado e registrado tem peso decisivo no momento de definir o recurso destinado à universidade no ano posterior. A execução do orçamento também interfere. O recurso não executado no exercício anterior, em sua totalidade, implica em redução no ano seguinte, pois o valor que servirá de base é o que foi gasto, explicou a pró-reitora.
A reitora observou que ao há implicações pedagógicas e orçamentárias relacionadas ao mau planejamento das ações. Problemas de ordem curricular podem ter como conseqüência o mau rendimento no aprendizado do aluno e a reprovação, o que irá pesar no momento de compatibilizar número de ingressos e de formandos.
Em relação à afirmação inicial, sobre a influência de desligar a lâmpada ao sair de um recinto da Universidade, observou que o gasto com energia elétrica é de R$ 10 a 11 milhões ao ano, montante que, se reduzido em 10 a 15%, pode ser aplicado em outros itens, como laboratórios, uma vez que faz parte do custeio.
Maria Lúcia explicou que o orçamento previsto é de mais de R$ 479 milhões, porém 90% são destinados a despesas com pessoal, ficando aproximadamente R$ 80 milhões para custeio. “Portanto, a maior parte não entra na conta da Universidade.”
Para o pró-reitor do Campus do Araguaia, professor José Marques Pessoa, “é importante esse diálogo, porque esclarece sobre as possibilidades e também dificuldades”. Ele considera necessário “desenvolver a tarefa de conquistar o orçamento, pois não é dado, mas construído na luta diária”.
A reitora voltou a afirmar que a prioridade orçamentária da UFMT, em 2012, é a assistência estudantil, que chega a R$ 15 milhões, incluindo todos os tipos de bolsas e o investimento nos restaurantes universitários, que classifica como uma bolsa universal, em que todo estudante da UFMT pode se alimentar a R$ 1,00, mediante subsídio institucional de R$ 5,00 a R$ 6,00. Também as aulas de campo estão à frente nas prioridades estabelecidas.
Em relação aos investimentos com recursos do Programa de Reestruturação das Universidades (Reuni), ela adianta que são R$ 11 milhões, destinados à construção dos restaurantes universitários de Sinop e de Barra do Garças; de dois laboratórios e de uma quadra de esportes em Rondonópolis; e à reforma do Teatro Universitário, em Cuiabá. Os recursos para aulas de campo sofreram um acréscimo de 43,70% em relação a 2011.
Fonte: Portal da UFMT
Foto: Reitora Maria Lúcia (Ascom/UFMT/Campus Araguaia).
Foto: Reitora Maria Lúcia (Ascom/UFMT/Campus Araguaia).
Obs. do blogueiro:
Em relação à afirmação da reitora sobre a influência de desligar a lâmpada ao sair de um recinto da Universidade, alguns professores manifestaram discordância da ideia de que haja desperdício por parte dos alunos e dos professores porque, embora as salas do campus do Araguaia tenham sido recém-construídas, há um erro no projeto, reconhecido até mesmo pela pró-reitora: na maioria delas há apenas um interruptor. Portanto, muitas vezes não há como utilizar parcialmente a iluminação.
Outro problema apontado pelos professores é que o ar-condicionado das salas (que no calor de 40 graus de Barra do Garças é indispensável) só desliga com o controle remoto, que fica com os vigilantes. Estes, por conveniência do serviço, ligam todas as salas no início do horário e só desligam ao final do turno, mesmo nas salas onde não haja aulas.
Também foi comentado que atribuir ao professor o excesso de gastos com energia ou o fracasso de alunos é parte do processo de culpabilização dos indivíduos, em geral, e do professor, em particular, quando o Estado não quer ou não sabe como fiscalizar ou como administrar. O assunto "culpabilização do indivíduo" tem sido tema de debates em diversas áreas do conhecimento, tais como a Medicina, o Direito, a Educação e a Sociologia, entre outras.