Professores da Unir (Fundação Universidade Federal de Rondônia) estão
tirando dinheiro do próprio bolso para manter pesquisas acadêmicas em
andamento, pagar funcionários e comprar material básico de consumo.
A falta de recursos tem origem em problemas financeiros e
administrativos da universidade e também na crise da Riomar (Fundação Rio
Madeira), responsável pela gestão dos recursos de convênios e de pesquisas da
Unir.
A fundação é investigada por supostos desvios de verba pública e por
irregularidades em obras e contratos.
As suspeitas levaram professores e alunos a decretarem greve em
setembro. Estudantes estão acampados na reitoria há mais de 70 dias.
As aulas estão paradas, mas parte das pesquisas não pode ser
interrompida.
A Folha ouviu relatos de professores, funcionários e alunos
de cursos oferecidos no principal campus da universidade, em Porto Velho.
GASTOS
A professora Carolina Dória, do departamento de biologia, diz que
gastou R$ 4.000 para pagar pescadores que colaboram em pesquisa sobre impactos
ambientais da construção da hidrelétrica de Santo Antônio (rio Madeira).
Alunos bolsistas têm que fazer rodízio dos dias de pesquisa porque
faltam cadeiras.
No departamento de engenharia elétrica, professores compram
equipamentos e materiais para, eles próprios, adaptarem móveis doados.
A universidade ainda enfrenta problemas como ácidos armazenados de
forma inadequada, cadáveres em decomposição por falta de vedação, fiação
desencapada, obras paradas ou atrasadas e até falta de papel higiênico.
O Ministério da Educação diz que constituiu, em 24 de outubro, uma
comissão de auditores com representantes do ministério e da CGU
(Controladoria-Geral da União) para auditar as contas da Riomar e da Unir.
O relatório final deve ser entregue nos próximos dias.
Na semana passada, o reitor da universidade, José Januário de Oliveira
Amaral, pediu renúncia do cargo.
À Folha ele afirmou que os recursos da Unir são insuficientes
para a manutenção dos campi e que parte dos problemas são causados por deficit
de funcionários e má gestão de departamentos.
Amaral disse ainda que é inocente em relação às denúncias de supostos
desvios de recursos na Riomar. Admitiu que tem corresponsabilidade em parte dos
problemas enfrentados pela universidade, mas disse que é alvo de perseguição política
e de homofobia (ele é homossexual).
