Cobertura de áreas de conflito é preocupação de entidades com segurança de profissionais da imprensa
por Alfredo Costa
A propósito da morte do repórter cinegrafista Gelson Domingos, lembro que no 6º congresso internacional da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), realizado em julho último, em São Paulo, um dos temas debatidos intensamente por mais de 90 jornalistas e estudantes de jornalismo que participam do evento foram as medidas de proteção para profissionais de imprensa designados para cobrir conflitos armados.

Entre essas medidas, foi ressaltada a importância de uma norma comum para o uso de equipamentos de proteção individual, registrando-se a existência de coletes e capacetes nas redações de alguma sempresas – sobretudo no Rio de Janeiro, pela cobertura do narcotráfico em favelas. Mas, adverte matéria publicada no site Última Instância, "na maioria dos casos, os jornalistas desconhecem a existência destes equipamentos, não sabem como manejá-los e não conhecem suas características, o que reduz a efetividade, por exemplo, de qualquer colete à prova de balas".
Agora, em nota divulgada na noite de segunda-feira, 7, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio afirma que o colete à prova de balas usado pelo repórter cinematográfico baleado era do tipo II-A, que oferece proteção contra pistolas 9mm, e não do tipo III-A - como afirma a TV Bandeirantes -, que tem maior poder de defesa.
O presidente da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, Maurício Azêdo, afirmou, no site da entidade, reconhecer que a "atividade jornalística expõe os profissionais a graves riscos no Brasil e no mundo", mas reitera aos jornalistas e às empresas "a necessidade de adoção de providências materiasi e de procedimentos que diminuam os riscos de perda de vidas e de ferimentos de jornalistas no desempenho profissional".
Numa profissão cheia de mártires, três guias de cobertura de áreas de conflito que podem ser úteis para quem vai lidar com traficantes fortemente armados:
· O guia do CPJ (Comittee to Protect Journalists),
· O guia do IFJ (International Federation of Journalists),
. O guia do INSI (International News Safety Institute).
Foto: "Especificações do colete que era utilizado por Gelson Domingos durante cobertura em Antares" (Sindicato/Divulgação).