O Grupo Bandeirantes lamenta a morte do seu funcionário Gelson Domingos, de 46 anos, na manhã deste domingo. O repórter cinematográfico foi atingido no peito em pleno exercício da sua profissão na cobertura de uma operação da polícia na favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste do Rio. Ele chegou a ser socorrido e levado para a Unidade de Pronto Atendimento da região, mas não resistiu.
O funcionário estava de colete à prova de balas – modelo permitido pelas Forças Armadas, sempre usados por profissionais da Band em situações como esta. Ele foi atingido por um tiro de fuzil, provavelmente disparado por um traficante.
Sindicato dos Jornalistas do Rio responsabiliza TV Bandeirantes pela morte de cinegrafista

Para a presidenta do sindicato, Suzana Blass, a morte do cinegrafista foi uma tragédia anunciada, porque os coletes fornecidos pelas empresas de comunicação não resistem a tiros de fuzil. Ela disse que o sindicato pode recorrer à Justiça para obrigar a Bandeirantes a amparar a família de Domingos.
Isso [o colete] é uma maquiagem. Os coletes não oferecem segurança para o profissional porque não protegem contra os tiros de fuzil, a arma mais usada pelos bandidos e também pela polícia no Rio. E as emissoras só dão o colete porque a convenção coletiva de trabalho estabeleceu que o equipamento é obrigatório em coberturas de risco.' Veja a íntegra da matéria de Cristiane Ribeiro, da Agência Brasil.
Foto de arquivo mostra o cinegrafista da TV Bandeirants
, Gelson Domingos, trabalhando no Rio
(Foto: Reprodução TV Globo).
Que a morte de Domingos seja um marco na defesa da segurança dos jornalistas e da sociedade
"Segundo relatos de colegas, além da função de repórter cinematográfico, o profissiona era obrigado também a dirigir o veículo da empresa, o que contraria normas de segurança na cobertura jornalística de áreas de risco. E era contratado como “operador de câmera”, recurso utilizado por muitas empresas de televisão para burlar a regulamentação profissional dos jornalistas, registrar os profissionais indevidamente e, assim, pagar salários mais baixos. " Veja a íntegra da nota oficial da Fenaj.
Secom divulga nota de pesar pelo falecimento do cinegrafista Gelson Domingos
A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou nota de pesar pelo falecimento do cinegrafista:
"Secretaria de Comunicação Socialda Presidência da República – Secom expressa o seu pesar aos familiares, amigose companheiros de Gelson Domingos, cinegrafista do Grupo Bandeirantes morto porum tiro neste domingo, enquanto fazia a cobertura em uma operação policial noRio de Janeiro.
O trágico episódio reforça em toda a sociedade o sentimento de gratidão e de solidariedade a todos os profissionais de todas as categorias que, como Gelson, arriscam-se em suas tarefas diárias em prol dos brasileiros.
Secretaria de Comunicação Social"
Obs. do blogueiro: Com a nota, o Governo Federal só contribui para a invisibilidade da profissão de Jornalista, uma das profissões mais marcadas pela violência durante o seu exercício. Se um médico morre no exercício da profissão, é de bom tom se solidarizar com os profissionais de medicina e não com todas as categorias que se arriscam "em suas tarefas diárias em prol dos brasileiros". Por que com um jornalista deveria ser diferente?