Correio Braziliense de hoje (10) comenta concurso da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).Depois de a Radiobrás mudar de nome, concurseiros tiveram de esperar cinco anos por uma seleção para a empresa pública. As oportunidades chegam a 537, divididas em cargos para níveis médio e superior
Cinco anos depois do último concurso, que só oferecia vagas de cadastro de reserva, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) acabou, enfim, com a ansiedade dos concurseiros que almejam uma vaga no local. O órgão abre nesta sexta-feira, dia 15, e encerra em 7 de agosto as inscrições para três editais (veja quadro) lançados na semana passada. E a quantidade de vagas salta aos olhos: são 537 vagas no total, sendo 31 reservadas a deficientes, além de formação de cadastro de reserva. Há chances para níveis médio e superior, e as taxas de participação custam R$ 37 e R$ 62, respectivamente. Os salários vão de R$ 1.698 a R$ 5.803.
Os interessados devem acessar o www.cespe.unb.br/concursos para se inscreverem. Todos farão provas objetivas de 50 itens em conhecimentos básicos e 70 em específicos. Para os candidatos do primeiro edital, haverá teste discursivo para a profissão de advocacia, enquanto que, para algumas atividades, como locução especializada, está prevista uma fase prática — obrigatória para todos os cargos dos editais 2 e 3. Os interessados nas vagas de repórter e de gestor de comunicação terão, ainda, avaliação de títulos com caráter classificatório. Provas objetivas e avaliações de títulos terão peso um, enquanto que exames discursivos e práticos, dois e meio.
Todas as avaliações serão realizadas em 25 de setembro. Para os concurseiros do primeiro edital, exceto advocacia, as provas serão no turno da manhã, assim como as do segundo, nas áreas de cinegrafista e fotógrafo. Além dos graduados em direito, farão testes no turno vespertino os aspirantes a repórter e a gestor de comunicação. Os exames vão ser feitos em Brasília (DF), em Manaus (AM), no Rio de Janeiro (RJ), em São Luís (MA) e em São Paulo (SP). Os aprovados serão lotados em tais localidades, exceto na capital do Amazonas. Nesse caso, será em Tabatinga, interior do estado.
A autora das apostilas da Vestcon para esse concurso e do livro Comunicação integrada: teoria, legislação e exercícios, Alessandra Mendes Durante, diz que os candidatos devem estudar assuntos como comunicação integrada, teoria da comunicação, redes sociais, marketing, mídias digitais e plano de comunicação. Para o professor de direito administrativo do Alub Franklin Andrejanini, é importante entender como funciona a EBC, ler sobre administração pública e estar por dentro dos acontecimentos atuais. Já o professor de matemática e raciocínio lógico Rogério Carrijo, também do Alub, recomenda que os concurseiros estudem estruturas lógicas e lógicas de argumentação. E garante: "Dá para estudar muito ainda. É só organizar o tempo".
A jornalista Gabriela Guedes, 26 anos, trabalha sem emprego fixo, desenvolvendo matérias para diferentes veículos. Ela não é concurseira de plantão, mas diz que espera a oportunidade desde 2006, ano em que ocorreu o último certame da empresa, quando esta ainda era chamada de Radiobrás. "Eu não era formada ainda, então não participei", explica. Ainda sem estudar "com muito afinco" para o cargo que almeja, o de jornalismo, Gabriela pretende se matricular em um cursinho preparatório. Por enquanto, lê bastante para afiar o português. E já sabe bem o que quer com o cargo que pretende ocupar. "É uma oportunidade rara de ter estabilidade profissional e continuar trabalhando como jornalista. Não desejo ir para assessoria, então tenho certeza de que este concurso é uma boa opção para mim", diz. Se aprovada, Gabriela será regida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Concursados
Morillo Carvalho, 26 anos, é um dos 112 jornalistas que foram convocados no último concurso. Ele viveu a transição de Radiobrás para EBC. "Antes da mudança, eu era multimídia. Trabalhava como repórter da Agência Brasil e entrava ao vivo na Rádio Nacional", lembra. Hoje, ele atua apenas com jornalismo radiofônico. "Sempre quis mexer com cultura. Fui setorista por oito meses na área e faço pós-graduação em gestão cultural. Agora, estou na Rádio Nacional da Amazônia. Não sou repórter de cultura, mas apresento um programa", conta. O jornalista se refere ao Mosaico, no qual destina meia hora, de segunda a sexta-feira, a informar aos ouvintes o que acontece pela Amazônia e pelo país no mundo da cultura. Para aqueles que pretendem fazer o concurso para a área de jornalismo, Morillo tem uma dica: "Fiquem antenados. Ouçam rádio, assistam aos telejornais e leiam internet e impressos. No concurso que passei, foi o mais importante na hora da prova".
Reginaldo Fonseca Oliveira, 32 anos, é operador de áudio desde os 13, quando conseguiu estágio na Radiobrás. "Meu pai era motorista e eu já comecei logo", lembra. Ele é concursado desde 2004 e diz que "adora a adrenalina" de estar na mesa de operação ao vivo. Define a profissão como "apaixonante" e aconselha: "o concurseiro deve se privar um pouco das saídas à noite e das peladas de domingo".
O Sindicato dos Jornalistas informou que, apesar de sempre ter reivindicado a realização do concurso, pretende entrar com ação judicial contra a EBC, nesta semana, contestando o edital nº 3, por entender que as funções previstas fazem parte da carreira de jornalista e não de gestor. Dessa forma, seria ilegal a exigência de carga horária de 40 horas, por ser 10 a mais que a carga prevista pela CLT para a profissão
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