Transcrevo post publicado no site Ufam para o futuro:
Há um discurso mal-intencionado nas afirmações quando se
discute a greve dos professores e professoras das universidades públicas
brasileiras. Principalmente os que são plantados diretamente do Palácio do
Planalto nas grandes empresas da mídia brasileira. Discursos do Governo a
desqualificar o movimento dos professores e professoras, porém, são esperados.
Dentro da própria categoria, porém, falas desse tipo assumem o caráter de
traição do individual em relação ao coletivo. Há sete anos não fazíamos uma
greve. Entre os pares, no entanto, há quem generalize a fala de quem “estamos
sempre em greve”. E isso sai dos muros, invade as famílias e ficamos com a
pecha de que “a universidade federal só vive em greve”. A greve atual é
história não porque amanhã completa 100 dias. É pela força do movimento e por
ter impregnado o conceito de carreira. Pela primeira vez, professores e
professoras compreenderam que o modelo de remuneração define a política
educacional do País. Durante anos, uma nuvem encobriu nossa visão e imaginamos
que o Governo do Partido dos Trabalhadores (PT) era diferente do governo do
Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). A greve atual desmistificou
essa crença. O modelo neoliberal de “estado mínimo na educação” está posto. E é
a essência da proposta forjada pelo Governo em conluio com a
“Federação-Fantasma”. Essa, talvez, seja a razão pela qual o Governo tenta
empurrar na marra essa “nova carreira”. Desse jogo brotam os discursos
mal-intencionados que tentam nos desmoralizar. Não estamos em greve apenas por
reposição ou aumento salarial. Queremos condições de trabalho, respeito e
dignidade. E isso nenhuma campanha irá conseguir nos tirar se nos mantivermos
fortes e mobilizados.
