Agência Focaia

Kris Santos 

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus Universitário do Araguaia (CUA), realiza produções cinematográficas com objetivo de valorizar a história e cultura regional, no Estado. As produções foram realizadas na região do Araguaia, com destaque para o patrimônio histórico de Mato Grosso. Em exibição dois trabalhos, Ser Tão Araguaia e o documentário Veredas do Araguaia, que, apesar de explorarem temáticas diferentes dialogam entre si.


Nas películas, o rio Araguaia torna-se um personagem que une diversas cidades e dois estados, Mato grosso e Goiás, com fundamental importância para o desenvolvimento da região do leste de Mato Grosso. Em torno dele, surge o hibridismo cultural, com a força da religiosidade e fé, cuja produção tem como cenário as cidades de Araguaiana e Barra do Garças.  

O documentário, um média metragem, tem como título Veredas do Araguaia: riqueza cultura e fé, dirigido pelo cineasta Daniel Santiago, mostra a trajetória histórica dos dois municípios, desde os tempos em que o garimpo de diamantes no Araguaia gerava riquezas, atraindo muitos aventureiros. A devoção dos moradores de Araguaiana à Nossa Senhora da Piedade também são temas do documentário.

Já na série de cinco capítulos, chamada Ser Tão Araguaia, foi dirigido pelo cineasta Amaury Tangará e trata de cinco temáticas relacionados ao rio Araguaia. Como tema, a cultura ribeirinha, povos e encantos. Completa a película a emblemática "Revolta Veloso", que discorre sobre tentativa de golpe militar que ocorreu em Aragarças em 1959, durante o governo de Juscelino Kubitschek. 

Como personagem importante, em destaque também a contribuição do historiador Valdon Varjão para o registro da história local; a importância das etnias Bororo e Xavante para a cultura mato-grossense. Não poderia ficar de fora, o misticismo e os fenômenos ufológicos na região.

Produções regionais em parcerias

A realização das obras se deu pelo Núcleo de produção Digital (NPD)/ UFMT, Campus de Barra do Garças, onde foram contratados produtores, diretores e uma  empresa produtora terceirizada. Deste modo, envolvendo mão de obra de profissionais, as produções geraram emprego na região, além da atividade pedagógica, com participação dos alunos do Campus no desenvolvimento do projeto. 

Segundo o Professor e coordenador adjunto do NPD Araguaia Gilson Costta, foram realizadas cinco oficinas no ano de 2014 e início de 2015, onde os participantes contemplaram todos os processos de audiovisual, desde o roteiro até edição. “Nessas oficinas conseguimos trazer pessoas de renome do cinema nacional”, afirma. 

O Núcleo de Produção Digital é um projeto do Governo Federal, conduzido pela Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura (SAV/MINC), que faz parte do plano nacional de cultura, cujo objetivo é instalar um NPD em cada capital dos estados brasileiros.  Dados do Portal Brasil (do governo federal) revelam que, até 2014 foram implantados 14 NPD’s em todo o país, o correspondendo à 50% do total previsto.

Em Mato Grosso o NPD, como analisa Costta, foi instalado no Campus Universitário do Araguaia, Unidade de Barra do Garças, obtendo empenho da Pró-Reitoria do Campus, que abraçou o projeto. O Núcleo tem como objetivo fomentar e disseminar as pequenas produções na busca de resgatar a história e cultura da região. 

Para os projetos, o governo federal disponibilizou, por meio da Secretaria de Audiovisual, cerca de 400 mil reais para a compra de equipamentos, sendo que o gerenciamento dessas verbas foi feito pela Fundação Uniselva.


O Núcleo tem duas frentes principais: apoiar as pequenas produções através de parcerias com fornecimento de equipamentos e também implantação do circuito exibidor, ação que já entregou dez salas de exibição na região. Como meta, fazer da região do Araguaia uma referência na produção audiovisual independente. 

“Nós já temos várias produções que foram apoiadas pelo NPD e com premiações, então estamos no caminho certo”, finaliza o Professor.

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