A Revista Media & Jornalismo está a aceitar artigos, até ao dia 31 de Julho de 2014, para um número dedicado às questões de género associadas ao campo da comunicação. Nesta edição antecipamos a celebração do 40º aniversário da primeira Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres, que teve lugar na Cidade do México em 1975. Como Margaret Gallagher nos tem recordado, reconheceu-se, desde esse início das políticas internacionais sobre género, a ligação entre o estatuto das mulheres e o papel da informação e comunicação, já que o Plano Mundial de Ação adotado na conferência da Cidade do México apontava a ausência de controlo e de acesso das mulheres à comunicação como um sintoma e uma causa da sua condição de desvantagem global.(+)
Desde 1975, a pressão transnacional para implementar reformas de política nacional por mecanismos estratégicos comuns estendeu-se um pouco por todo o mundo e os feminismos transnacionais criaram novas ferramentas intelectuais que nos permitem percorrer as realidades globais das nossas sociedades contemporâneas. Mas a globalização e a transnacionalização, como todos os processos sociais, têm género, e isso é particularmente visível no modo como elas significaram maior competitividade e mais produtividade assente naredução de pessoal (miniaturização), horários flexíveis e novas formas de trabalho, downsizing, outsourcing, avaliação de realização e compensação no desenvolvimento de carreira, processos que prejudicam especialmente as mulheres, nomeadamente nas suas carreiras como profissionais dos media. Com estas exigências, com efeito, veio todo um discurso que se instalou como “pensamento único”: o da autonomia, da igualdade de oportunidades, do mérito e da descentralização estatal. O neoliberalismo tomou plenamente conta das empresas dos media e os seus efeitos sobre os seus regimes de funcionamento são preocupantes. Além disso, associou-se ao próprio feminismo, como constata Nancy Fraser.
Mas a comunicação, em especial na sua forma mediática, se transformou também profundamente desde 1975, sendo hoje mais transnacionalizada que o próprio McLuhan antevira. Com essas transformações, as desigualdades culturais, económicas baseadas no género que todos os dias continuaram a reproduzir-se e a produzir-se na comunicação mediática.
Tais desigualdades comunicativas têm várias facetas – desde a escassa presença de mulheres em lugares de decisão nos media noticiosos, às implicações das transformações dos novos media em termos de género, ao problema do acesso ao espaço público e das representações mediáticas das mulheres, às novas formas mediáticas pós-feministas.
São essas desigualdades que pretendemos pensar nesta edição da revista Media e Jornalismo,para o que apelamos a contributos originais e relevantes para este assunto. Os temas podem incluir, ainda que não se limitem, aos seguintes:
  • Transformações do jornalismo e seu impacto nas mulheres jornalistas,
  • Transnacionalização da comunicação e dos seus sujeitos em termos de género,
  • Pós-feminismo e neoliberalismo,
  • Representações mediáticas da desigualdade no espaço público mediatizado,
  • Política e novos e velhos media, em termos de género,
  • Género e sexualidade nos novos media,
  • Reafirmação dos discursos tradicionais de género, classe e trabalho nos media tradicionais e digitais.
Os artigos devem ser enviados até 31 de Julho de 2014 para revistamediaejornalismo@gmail.com  mjsilveirinha@sapo.pt
Consulte as normas de apresentação dos textos.
Fonte: CIMJ

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