O boxeador que saiu do armário merece nossa admiração

Apesar de perder, ele foi a grande história da noite

A noite não foi boa para Orlando Cruz ontem (dia 12). O boxeador de Porto Rico, após apanhar durante seis rounds seguidos, foi nocauteado no sétimo assalto pelo mexicano Orlando Salido, na disputa pelo cinturão dos peso-pena pela Organização Mundial de Boxe (OMB). Não bastasse isso, Cruz ainda teve que ouvir uma saraivada de ofensas homofóbicas da torcida em Las Vegas enquanto se contorcia no chão do ringue, tentando – em vão – recuperar o fôlego para levantar e continuar a luta.
Orlando Cruz, 32, é o primeiro pugilista da história a assumir a sua homossexualidade ainda em atividade. Ele entrou ontem na arena vestindo um calção com as cores do arco-íris, símbolo do movimento gay, e as suas luvas tinham detalhes em rosa. Antes da luta, Cruz prometera dedicar uma eventual vitória ao ex-bicampeão mundial Emile Griffith, morte em julho deste ano. Griffith, um dos maiores talentos do pugilato da década de 1960, também assumiu ser bissexual, mas apenas após a sua aposentadoria.
Ao final da luta, foi Salido quem saiu com cinturão. E ele merece o nosso respeito por isso. Mas a grande história da noite foi a de Cruz. A indústria do esporte vive um atraso homofóbico que não acompanhou aos avanços da sociedade nas últimas décadas. É possível contar nos dedos os atletas que admitiram ser gay ainda em atividade.
A boa notícia? De um ano para cá, eles parecem estar se multiplicando, ainda que num ritmo lento. Cruz fez sua revelação em outubro de 2012. O pivô da NBA Jason Collins repetiu o gesto em abril deste ano. Ele foi o primeiro atleta de uma major league americana a assumir a homossexualidade, apesar de na época estar sem clube, uma situação que ainda não mudou. Finalmente em maio veio o meia Robbie Rogers, do Los Angeles Galaxy, o primeiro esportista gay assumido a disputar uma partida das ligas principais dos Estados Unidos.
Então surge a questão: onde se encaixa o futebol brasileiro nessa história toda? Uma pesquisa do UOL Esporte em maio deste ano com 105 jogadores revelou que 56% deles conhecem colegas gays. Nenhum assumiu a opção publicamente até hoje, no entanto. Não dá para culpá-los pelo receio em fazer isso. O meio esportivo ainda é extremamente machista. As ofensas que Cruz ouviu em sua luta são apenas mais um exemplo disso. Vale citar, também, o comentário que o volante Wellington, do São Paulo, fez quando Emerson deu um selinho no seu amigo: “No São Paulo não tem espaço para isto, aqui só tem homem.” Muitos torcedores do Corinthians também criticaram Emerson (que não é gay, aliás, queria apenas fazer uma crítica a esse preconceito) e pediram para o atacante se retratar. O machismo no esporte obriga muitos atletas a viveram numa sombra e isso é cruel. Mais

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