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Foi um dia inteiro de atividades políticas e culturais e um almoço na ADUFMAT S.Sind. para marcar a adesão dos docentes da UFMT à greve geral do dia 11 de julho. Mais de 200 pessoas passaram pela Associação, entre professores, estudantes e trabalhadores da UFMT.
O dia começou cedo, às 9h, com a graffitagem dos tapumes que cercam os espaços onde serão construídas obras públicas ou mesmo privadas, sobre as quais a comunidade acadêmica tem pouca informação.
“Graffiti é arte. A ideia é colocar arte onde, na universidade, estão colocando muros. A arte não separa e é para ser contemplada, poderá atrair os olhares, para agregar”, explica a diretora de As. Sócio-Culturais, Gleyva Maria. Informações não confirmadas dão conta que atrás dos tapumes, onde hoje é um parque verde, será construído um restaurante particular. “Não é exatamente que somos contra ao que vão fazer aí, até porque não sabemos o que é, mas somos contra a maneira vertical e sem discussão que as coisas acontecem na UFMT. Não sabemos o porquê desses tapumes. Do dia para noite eles apareceram aí, não houve uma discussão. Não houve uma reflexão sobre como criar esse espaço e a gente não está em silêncio, a gente está se manifestando contra o que vão fazer porque não sabermos o que é”.
Para Gleyva, o Movimento Docente, nessa conjuntura de protestos pelo país, “se coloca em luta, porque nossa carreira só vem sendo desconstruída”. Ela denuncia administrações autoritárias, que fazem com que o professor tenha medo de participar das assembleias da categoria. “A gente está sabendo disso, muitos têm medo de represália, isso é o fim. Nem no tempo da ditadura havia uma repressão tão grande, porque as pessoas conseguiam se indignar contra isso e se manifestar. Hoje está essa inércia em virtude dessa dificuldade, porque a repressão é muito sutil, o professor às vezes nem entende que isso está acontecendo com ele”.
Conforme a diretora, “fizemos esse dia cultural, para que a comunidade universitária entenda que o espaço de luta não é seco, rígido, sombrio, totalmente despovoado, como muita gente fala. Não! A cultura agrega e a gente tem que fazer a nossa luta também plantando cultura. Por isso a ideia do graffiti, da capoeira, da poesia e da música O graffiti é uma maneira da gente passar o que a gente sente, não apenas no cartaz que a gente leva para a luta e depois enrola e deixa em casa”.

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O graffiteiro Cleiton Soares, o Amarelo, que há 10 anos trabalha com isso, riscou, entre outros traços, a palavra respeito no tapume bem em frente à ADUFMAT. “O professor está carente disso, porque a profissão do professor é tão ou mais importante que qualquer outra. Não existe um médico, um advogado e nenhum outro profissional se não tiver o professor”, observa o grafiteiro.
O grafite sempre teve ligação com protestos. “Um dos públicos que começou a multiplicar essa forma de manifestação foram os punks, que deixavam pelos muros das cidades palavras de indignação e revolta. O graffiti então sempre teve esse cunho de manifestação muito forte”, explica Amarelo.
Na sequência, a professora do curso de Filosofia Marília Beatriz apresentou, no auditório da ADUFMAT, três artistas locais - Lúcia Palma, Luis Carlos Ribeiro e Neneto - que recitaram poesias. O professor Gilberto Goulart apresentou-se com o grupo de capoeira Quilombo Angola.
A banda de rock Orpheus encerrou a atividade cultural, tocando “Que país é esse?” e outras da Legião Urbana, Raul Seixas e autorais, como a música “Revolução”.
O presidente da ADUFMAT, Carlos Roberto Sanches, destacou que, nesse momento histórico, as pautas docentes da UFMT se colocam entre as demais pautas dos trabalhadores. A mais recente luta é contra mudanças na Resolução 158, que aumentaria a exploração do trabalho dos professores em sala de aula. Outra luta é pela carreira docente, que ficou patente na greve de quatro meses do ano passado. A luta contra a privatização dos hospitais que já estão sendo geridos pelaEmpresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) também é urgente.
“A carreira docente é fundamental na nossa leitura porque não representa só uma questão de posicionamento do professor nessa ou naquela faixa salarial, ou se ele é adjunto ou de outra classe qualquer, é muito mais do que isso, a carreira deve de fato refletir as aspirações dessa categoria, ser professor significa muito mais do que ser adjunto ou assistente, envolve um conjunto de questões que devem ser colocadas, por exemplo, a ameaça de variação na carga didática que compromete a qualidade educação. Isso atende a uma única questão do governo que é a ampliação de vagas com a manutenção do mesmo pessoal. E não é essa universidade que a gente quer”, reforça Sanches.
A luta dos docentes cruza com a dos estudantes em vários pontos, principalmente no que diz respeito a educação de qualidade. “Todas a comunidade acadêmica sente muito a precariedade provocada pelos cortes na educação”, diz a coordenadora geral do DCE da UFMT , Viviane Motta.
Depois disso, a categoria foi à concentração na Praça 8 de abril, conforme encaminhado em assembleia geral, seguindo em marcha para a praça Alencastro, se unindo ao movimento do transporte. A greve geral foi uma convocação das centrais sindicais, entre elas a CSP-Conlutas, a quem a ADUFMAT é filiada.

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