O amor nos tempos da pauta

Ele dá uma cantada tão criativa quanto os seus textos: você vem sempre em coletiva?
Ela mexe no cabelo para chamar a atenção dele. Nem vê o fone de ouvido sair voando.

Ele faz a barba, compra uma segunda calça, lava enfim o All Star.
Ela começa a usar o perfume francês que ganhou de jabá.

Ele finge que não entende uma resposta do entrevistado só para perguntar a ela.
Ela faz que perde a caneta só para pegar uma emprestada dele.

Ele acha linda a caligrafia dela, mesmo sem entender uma palavra escrita no bloquinho.
Ela suspira toda vez que ele diz “um, dois, três, gravando”.

Ele anota para ela seu e-mail. Vai que ela precisa escrever um frila a quatro mãos.
Ela anota para ele seu celular. Vai que ele tem uma dúvida de Português no sábado à noite.

Ele divide com ela o último croissant do coffee break. Uma mordidinha dele aqui, uma mordidinha dela ali.
Eles esquecem o deadline.

Ele arranca o microfone da mão do assessor na coletiva e faz uma declaração de amor para ela.
Ela atualiza o perfil no Face. Em um relacionamento sério. Se é que relacionamento entre jornalistas pode ser algo, assim, sério.


Via Desilusões perdidas.


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