“Globo”, “Folha” e “Estadão” deturpam noticiário sobre PEC do diploma de jornalista
Gibran Lachowski, jornalista e professor em Rondonópolis

É patético verificar como se portam alguns veículos de comunicação de renome nacional diante da aprovação em primeiro turno no Senado da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) referente à retomada da obrigatoriedade do diploma universitário para o exercício da profissão de jornalista.

A votação ocorreu hoje (quarta, 30) e teve o placar de 65 a favor e sete contra. Numericamente, um contraste, que, contudo, por regimento, precisa passar por mais um turno no Senado e dois na Câmara dos Deputados, conforme se observa no endereço http://www.senado.gov.br/noticias/senado-aprova-em-primeiro-turno-pec-que-exige-diploma-a-jornalista.aspx .

Como era de se esperar, veículos de renome nacional editorializaram a notícia. Deram peso igual aos dois lados, destacaram a versão de que a mesa diretora do Senado desrespeitou acordo entre bancadas e ressaltaram a hipótese de que o Supremo Tribunal Federal (STF) impedirá a restituição do diploma mesmo que a PEC passe também pela apreciação da Câmara.

Matéria veiculada pelo portal G1 (“Globo”) trouxe quatro “falas” a respeito da votação, sendo duas a favor (Inácio Arruda-PC do B\Ceará e Humberto Costa-PT\Pernambuco) e duas contra (Aloysio Nunes-PSDB\São Paulo e Fernando Collor-PTB\Alagoas), dando a entender que o placar foi acirrado. Os defensores da PEC ressaltaram que a exigência de diploma tem a ver com a competência técnica e questão trabalhista e que não proíbe colaborações opinativas. Os contrários ressaltaram que condicionar a prática do jornalismo ao término de ensino superior representa afronta à liberdade de expressão.

Outras duas pessoas ouvidas pelo meio midiático foram o senador Renan Calheiros (PMDB\Alagoas) e o presidente da Casa, José Sarney (PMDB\Amapá). O primeiro criticou o segundo apontando que a votação da matéria precisava de uma discussão prévia entre colégios de líderes. Sarney disse que o assunto está em debate há mais de um mês e que a presidência tem a prerrogativa de “fazer a agenda”. Confira o texto emhttp://g1.globo.com/politica/noticia/2011/11/senado-aprova-exigencia-de-diploma-para-jornalista.html

O jornal “O Estado de São Paulo” agiu bem pior. Conseguiu ouvir três (dos sete) senadores contrários à aprovação da retomada do diploma para o exercício do jornalismo e só um (dos 65) a favor. Calheiros, Demóstenes Torres (DEM\Goiás) e Nunes foram as vedetes da matéria “informativa”. O único que despontou a favor do diploma no texto, Magno Malta (PR\Espírito Santo), ainda teve a posição meticulosamente minimizada por mencionar a filha, estudante de jornalismo, em seu discurso.

Além disso, o jornal acolheu a ideia de que Sarney “deu um golpe”, pondo o assunto em votação em desrespeito a acordo anterior com líderes partidários.  O veículo também reforçou a versão de que, ainda que Senado e Câmara aprovem em dois turnos a PEC, a mesma será derrubada pelo STF. Acompanhe aqui o texto do jornal http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pec-que-torna-obrigatorio-diploma-e-aprovada-no-senado,805077,0.htm .

O impresso “Folha de São Paulo” expôs que a “PEC dividiu senadores”, como se 65 a 7 representasse um placar 50% a 50%. E mencionou seis parlamentares, três a favor e três contra, novamente dando a errônea impressão de que a votação foi acirrada. O autor da proposta, Antônio Carlos Valadares (PSB\Sergipe), Malta e Wellington Dias (PT\Piauí) apareceram como defensores do diploma. Nunes, Torres e Collor foram colocados do lado contrário.

O “temor” de que o Supremo derrube um possível resultado favorável teve destaque na matéria do jornal, assim como o de que a exigência do diploma contribua para uma espécie de “controle dos meios de comunicação”. Leia o texto aqui http://www1.folha.uol.com.br/poder/1014603-senado-aprova-em-1-turno-obrigatoriedade-de-diploma-para-jornalistas.shtml

Portanto, é inocência achar que esse assunto será tratado de modo isento, imparcial, estritamente informativo pelos veículos midiáticos, sobretudo os de maior porte. O conteúdo será ideologizado, editorializado, como se pôde perceber, conforme se expôs acima.

Isso significa que os que são a favor da restituição da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo devem expor tal posicionamento abertamente e apontar a deturpação do noticiário.

E ainda tem gente expressiva no meio jornalístico que se posiciona contra um marco regulatório nas comunicações alegando que vivemos hoje a mais pura e plena democracia dentro dos veículos midiáticos.

Sigamos em frente, desconstruindo discursos.



Aluno critica preparo de professores


Repórter: Lucas Antonio
Editora: Ana Carolina Vilela


O curso de Comunicação Social – habilitação Jornalismo – da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT\campus Araguaia) tem constantes reclamações sobre a falta de estrutura. Além disso, há laboratórios inadequados para desenvolver as matérias específicas e reclamações sobre alguns professores.

O acadêmico Átila Cezar Rodrigues Lima e Coelho, 22 anos, do terceiro ano, alerta: “Eles (docentes) sabem, mas não conseguem explicar. Não têm licenciatura, não têm experiência em sala de aula”.

Sem citar nomes, o entrevistado disse que não existe falta de interesse dos profissionais e que eles se esforçam para tentar passar conhecimento. Porém, segundo Átila, o fato de terem um diploma de bacharelado, “sem nenhum treinamento para ensinar”, acaba acarretando em problemas que prejudicam a qualidade do ensino.

O curso é novo (início em 2009) e ainda não foi reconhecimento pelo Ministério da Educação (MEC). Em razão disso, tais questionamentos são recorrentes entre os estudantes. Se forem comprovadas as deficiências pedagógicas e de infraestrutura, o curso pode inclusive não ser reconhecido pelo órgão.

“Todos esses problemas podem acarretar desvantagens aos estudantes que vão se formar e entrar no mercado de trabalho”, aponta Átila. O estudante afirma que após o curso pretende desenvolver as funções de diagramador e editor. Ele diz que dentro da universidade não viu nada específico do que pretende seguir e afirma que o que sabe sobre tais áreas aprendeu em cursos em outras instituições ou até mesmo sozinho.

Apesar das dificuldades, Átila gosta de estudar na UFMT e em alguns momentos se diz empolgado com o envolvimento dos estudantes. Ele acredita que mesmo com os percalços, o curso produzirá bons profissionais, ainda que grande parte do conhecimento dos mesmos seja adquirida fora da sala de aula.


O dia a dia de Andressa:
estudante de Jornalismo e caixa de loja


Repórter: Andressa Cristina
Editora: Graziely Moessa


Andressa Cristina Gomes Alves, 20 anos, natural de Barra do Garças, acadêmica do 6° semestre de Comunicação Social – Jornalismo¬ – da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT\campus Araguaia), trabalha como caixa em uma loja de vestuário feminino.

Ela conta sobre seu dia a dia ao lidar com inúmeras mulheres “frenéticas” em busca de roupas adequadas a cada ocasião. “Além de divertido, é uma rotina um tanto quanto desgastante. Não pelo trabalho braçal, pois o mesmo é pouco, mas pelo cansaço mental, por muitas vezes maior que a remuneração”.

A empresa em que trabalha possui um quadro de 11 funcionárias, divididas em três lojas (roupas femininas, masculinas e infantis). A entrevistada destaca que há mais dificuldades de se lidar com o primeiro. “As mulheres são detalhistas, perfeccionistas e possuem complexos de ‘feiúra’. Daí nada agrada, por mais bonita que a cliente seja ou esteja”, disse.

Com uma carga de oito horas diárias de trabalho, de segunda a sábado sua rotina transcorre normalmente entre uma mescla de stress e diversão. A proprietária da loja permanece no recinto durante todo o dia, o que acaba por agravar a convivência entre clientes e funcionárias. Andressa explica que “com as funcionárias os clientes se comportam de uma forma e com a ‘patroa’ é totalmente o oposto. E como o cliente sempre possui a ‘razão’, por inúmeras vezes nós acabamos por nos ocultar em busca de não contrariá-los”.

A jovem continua: “Vivemos em uma sociedade e por diversas vezes somos obrigados a abafar nossas opiniões para não se envolver em atritos, pois possuímos interesses diferentes e sempre estaremos em desacordo”.

Andressa está na mesma empresa há um ano e oito meses e o serviço permite conciliar ganho econômico e frequência no curso universitário. Como “se manter empregado não esta fácil, já que são poucos postos de trabalho na cidade”, permanece na tentativa de melhorar a convivência e o rendimento financeiro na loja onde atua.



O eterno desejo de estar bela


Repórter: Thais Helena
Editora: Thais Helena


Desde o Egito antigo a maquiagem é uma ferramenta usada para embelezar homens e mulheres. Os faraós utilizavam perucas coloridas para ter uma distinção social e pintavam os olhos como ponto de destaque. Carismática e poderosa, Cleópatra foi uma das representantes do ideal de beleza da época. Ela banhava-se em leite, cobria as faces com argila e maquiava seus olhos com pó.

Nos dias de hoje as mulheres são as que mais utilizam a maquiagem para realçar os pontos fortes ou camuflar os fracos.

Para Maxmyllyanne Morais, estudante do curso de Comunicação Social (habilitação Jornalismo) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT\campus Araguaia), o ato de se maquiar é semelhante ao de pintar.

“Você deve pensar antes nas cores que tem e no tom da roupa que vai usar. Qualquer pessoa pode fazer uma bela maquiagem. Há vários tutoriais no you tube que ensinam passo a passo, blogs que dão dicas de como fazer e do que comprar, e isto ajuda muito a iniciante. Mas o segredo mesmo é testar novas formas de fazer em si mesma”, diz Max, como é mais conhecida.

A “maquiadora” sugere alguns blogs, tais como juliapetit, caprichanomake, 2beauty, tudodemaquiagem, adoromaquiagem.


E atenção...
Como existe uma infinidade de marcas de produtos de maquiagem, é bom ter cuidado, alerta Max. Cosméticos muito baratos podem não ter boa qualidade. A durabilidade e a textura dessas marcas são questionáveis e podem comprometer o “make” da pessoa. Max recomenda as mais conhecidas, por terem credibilidade.

O mundo da maquiagem está cada dia mais cheio de produtos e para quem quer saber o que é essencial em uma necessarie, preste atenção na dica: um lápis e um rímel preto, blush rosa, gloss cor de boca e corretivo. Com isso, você pode passar de “gata borralheira” para “Cinderela” e realizar o desejo de sempre estar bela.



Pedaladas para o sucesso


Repórter: Graziely Moessa
Editora: Andressa Cristina


“Não sei o que vou fazer amanhã.
O que vier é lucro.”


Ivan de Jesus Santos, 23 anos, nasceu em Torixoréu\MT. É o caçula de três irmãos (dois homens e uma mulher). Sua vida ganha contorno de saga popular a partir dos 15 anos, com o primeiro emprego. De lá para cá, muda de cidade várias vezes, aumenta o volume de serviço, ingressa numa universidade pública e passa a ser mais um brasileiro a se equilibrar entre os estudos e a necessidade de sobreviver economicamente.

O primeiro ofício, de jardineiro, é seguido pelo de menor aprendiz numa agência fazendária e pela tentativa de ocupar uma vaga de recenseador do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Aos 19 anos, em Baliza, interior de Goiás, toma uma radical decisão: mudar para um local maior e mais oportunidades. Vai morar com amigos em Mineiros, no mesmo estado, numa casa com outras sete pessoas. O jovem não se esquece da partida. Próxima do ônibus, sua mãe, triste, o aconselha: “Filho, até aqui eu te trouxe. A partir daqui Deus vai cuidar de você”.

Em Mineiros, trabalha como auxiliar de produção em uma empresa de frangos por três meses, mas logo sai, pois adquire Lesão por Esforço Repetitivo (LER) e pneumonia.

Em 2008, muda-se para Aragarças\GO e mora na casa de uma família de amigos. Presta vestibular na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT\ campus Araguaia) para o curso de graduação em Comunicação Social – habilitação em Jornalismo. Fica feliz por passar no exame, porém logo tem que arrumar um emprego. “Pobre tem que trabalhar para conseguir estudar”, afirma o rapaz.

Ivan consegue emprego de empacotador em um supermercado da cidade (Barra do Garças) e vai morar em uma quitinete onde divide as despesas com o amigo Marcos. No serviço, é promovido a empacotador, passa para a função de repositor e agora atua como processador de dados. Na universidade, recebe elogios de professores pelo esforço, o desempenho acadêmico e pela voz marcante.


A rotina
O universitário acorda às 6h30, se arruma, prepara o café da manhã, organiza a casa, pega a bicicleta e se dirige ao trabalho. Ao meio-dia monta na “magrela” e retorna à quitinete para fazer o almoço. “Comida simples de homem que vive sozinho: basicamente, macarrão com alguma coisa”, conta. Volta ao trabalho às 14h, termina o expediente às 18h30 e segue para casa.
Pensa que acabou? Ivan toma banho, troca de roupa e pedala 7 km até a universidade, chegando ao local às 19h15, já com a aula em curso. Encerra os estudos às 22h30 e toma o caminho da quitinete (a custa de mais pedaladas). Prepara uma rápida comida e vai dormir.


O dia seguinte
Quando tem prova ou algum trabalho da universidade, Ivan estuda até as 3h da manhã. Aos sábados trabalha até as 12h e lava suas roupas. Nas folgas de domingo vai à igreja evangélica, joga futebol, lê mangá e assiste a filmes. Ao final, deita-se para, no dia seguinte, começar tudo de novo.

Ivan define-se como uma pessoa tímida, contudo que se sente “mais à vontade pra falar em público do que somente com uma pessoa”. Perguntado sobre o que espera do futuro como jornalista, ele diz: “Não sei o que vou fazer amanhã. O que vier é lucro”.



Curso de Comunicação recebe novo professor


Editora: Heloisa Helena
Repórter: Lorrana Carvalho


Gibran Luis Lachowski é o mais novo componente do corpo docente do curso de Comunicação Social (habilitação Jornalismo) da UFMT – campus Araguaia. Aos 33 anos, o professor ocupa um cargo temporário e leciona as disciplinas de Edição e Cobertura Jornalística e Jornalismo Especializado I para a turma do 6º período. Jornalista por formação, Lachowski reside desde o começo de 2010 em Rondonópolis, onde ministra aulas e coordena o curso de Comunicação na Faculdade Cenecista.

Cuiabano, trabalhou em vários jornais, tevês, sites e assessorias de imprensa. O entrevistado disse que seu exercício jornalístico foi “conturbado”. Polêmico pela defesa seus ideais, o professor falou que a censura dos meios de comunicação foi a maior dificuldade encontrada.

Menciona que seu senso crítico, advindo da formação acadêmica, gerou diversas discussões com os editores das empresas pelas quais passou. Essa postura ocasionou varias mudanças de emprego, chegando a ter dez empregos entre 1997 e 2002.

Hoje, como docente, afirma estar em busca de aperfeiçoamento e se preocupa em passar aos alunos o ensinamento de não se autocensurar. “A censura está presente nos meios de comunicação, e se engana quem acredita que ela vem somente dos políticos”.

A maior censura decorre dos empresários e anunciantes, assegura o professor. Há sete anos como docente, Lachowski sente falta de estar nas ruas fazendo reportagens e encontra nos projetos universitários uma forma de “voltar a ser jornalista”.


Do sonho à realidade possível


Repórter: Francisco José
Editora: Lohanna Claro


Realmente, a vida não é um jogo previsível. Cristiane Gomes Silva, 33 anos, que o diga. Ela tinha um sonho na adolescência: cursar Medicina. Não o tornou realidade. E em breve será jornalista, algo que nunca esteve em seus planos.

Terminando o ensino médio, Cristiane prestou vestibular na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT\campus Araguaia). Na época, existia apenas a unidade I, em Pontal do Araguaia, que oferecia os cursos de Letras, Matemática e Biologia. A jovem viu o sonho ficar distante. Por eliminação, decidiu fazer Letras, pois não se imaginava como bióloga e não tinha intimidade com matemática.

Quando prestou o vestibular a concorrência era grande devido às poucas opções, mas conseguiu vencer as barreiras e passou. A ideia de nossa protagonista não era se formar em Letras, mas “aprender algo” e “não ficar parada“.

Ela passou a gostar do curso e se formou. Hoje em dia não se vê como médica. Acha que não teria dado certo por envolver ciências exatas.

Depois, passou em outro vestibular, desta vez para Comunicação (habilitação em Jornalismo), também na UFMT\campus Araguaia. Segundo Cristiane, era apenas uma curiosidade. Ela gosta do curso e atualmente tem no estudo de jornalismo um incremento na vida, mas não o essencial.

A acadêmica conta que já pensou em desistir, contudo como faltam dois semestres para se formar, garante que vai até o fim. Ela diz que não sabe o que fará após a formatura, mas sua vontade é trabalhar como professora e jornalista.




Lorrana pensa como Kotscho e Rossi


Repórter: Gibran Lachowski
Editora: Alail Abadia


”Espero poder passar conhecimento para milhares de pessoas. Contribuir com a sociedade”. Isso é o que move a acadêmica do curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) da UFMT\campus Araguaia, Lorrana Carvalho de Oliveira, de 25 anos.

Seu pensamento dialoga com o de conceituados jornalistas no Brasil, tais quais Ricardo Kotscho e Clóvis Rossi, que ressaltam a profissão, acima de tudo, como de interesse público e responsabilidade social.

Ex-aluna de Direito, Lorrana confessa que, apesar de iniciar o 6º semestre (de oito ao todo), a área que estuda hoje em dia decididamente não corresponde a um sonho de infância. Realista, afirma: “Estou aprendendo a gostar”.

Ela é goianiense, mora em Barra do Garças há 20 anos e expõe de forma objetiva sua avaliação a respeito do curso de Comunicação. A importância atribuída à profissão de jornalista não impede apontamentos que denotem problemas institucionais da universidade. “As principais dificuldades se referem à estrutura, à falta de livros e à ausência de professores na grade curricular”.

O primeiro problema apontado pela acadêmica se refere à carência de filmadoras, gravadores de rádio e máquinas fotográficas apropriadas para o desenvolvimento do jornalismo. “Só que nós corremos atrás. Pegamos equipamentos nossos (amadores) ou emprestamos. Nós damos um jeito”, conta Lorrana, para quem as dificuldades técnicas não devem acomodar os estudantes. “No final de tudo, o que fica como resultado é o aprendizado”, finaliza.




O “paidrasto” de China


Repórter: Lohanna Claro de Souza
Editor: Francisco José


Segundo a enciclopédia livre Wikipédia, o Dia dos Pais é mais antigo do que nós imaginamos. A data tem origem na antiga Babilônia, há mais de quatro mil anos. Um jovem chamado Elmesu moldou e esculpiu em argila o primeiro cartão, desejando sorte, saúde e longa vida a seu pai.

O Dia dos Pais foi, enfim, instaurado como data comemorativa em nossos calendários e é festejado até hoje. Mas quem não os conhece, alegra-se com o que? E aqueles que sabem quem são, mas vivem com os padrastos?

Adilson Barbosa Junior, 39 anos, mais conhecido como China, passou 31 sem ver o pai. Ele é acadêmico do 6º semestre do curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) da UFMT\campus Araguaia e conta que o distanciamento ocorreu por causa de uma separação familiar quando tinha cinco anos, em Corumbá-MS. A mãe foi para Barra do Garças-MT, sua cidade natal, e o deixou aos cuidados do pai. Um ano depois foi buscá-lo e China ficou até os 36 anos sem vê-lo novamente.

Logo após a separação sua mãe se casou outra vez e teve mais filhos. Hoje, a figura paterna que China carrega é a do padrasto, a quem enxerga como “o homem que esteve ao meu lado nos dias bons e nos dias ruins”.

Há um ditado popular que diz que pai não é aquele que põe no mundo, mas sim o que cria, garante educação, leva ao médico e dá amor. Para China, há poucas frases verdadeiras como essa. “Seria muito fácil ser pai, se fosse simplesmente dar a vida”.



Morar no exterior é um sonho possível


Repórter: Carolina Pizzatto
Editor: Tonny Villar


Estudar em outro país é um sonho para muitos brasileiros. Eles acreditam que em uma outra nação, principalmente de primeiro mundo, existem mais oportunidades de se desenvolver uma carreira sólida e bem sucedida. No entanto, também há certo receio, pois viver em um país diferente, com distintas culturas, longe de seus familiares e amigos, é um desafio constante. Ana Carolina Vilela Souza Silvestre de Paiva, 21 anos, aluna do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT\campus do Araguaia), afirma ter vontade de morar no exterior após a graduação para trabalhar na área de fotojornalismo. Ela revela que essa é a sua paixão. Além disso, querer fazer outros cursos para adquirir mais experiência em fotojornalismo.

Ana Carolina diz que ter “receio de viver em outro país é normal, mas a vontade de conhecer lugares e pessoas novas supera este medo”. Comenta que em seu caso será mais fácil enfrentar a situação, pois tem uma irmã que mora na Holanda há quatro anos, que coincidentemente trabalha no ramo de fotografia. Ana Carolina menciona que morar com um familiar ou uma pessoa conhecida pode dar o suporte necessário.

Apesar dos temores e da importante decisão que representa viver em outro país, a acadêmica analisa: “Não é fácil pra ninguém, mas é algo que trará uma bagagem profissional. E ainda traz uma visão de mundo que faz a pessoa amadurecer”. A estudante acrescenta que “é preciso ter certeza de estar indo com toda segurança para não fazer as coisas sem pensar e sem ter todas as informações necessárias”.

Ana Carolina deixa algumas dicas para quem deseja seguir o mesmo caminho. Informa que é preciso saber se a empresa que fará o intercâmbio tem credibilidade no ramo e se o candidato a viver em outro país está pronto para estudar ou trabalhar em um lugar diferente.



Uma análise despretensiosa sobre Fraissat


Repórter: Tonny Villar
Editora: Carolina Pizzatto


Luis Carlos Fraissat (37), natural de Piranhas\GO, e num futuro bem próximo, pai. Brasileiro com ascendência italiana, conhecido pelo sobrenome, ele é um trabalhador. Trata-se de mais um cidadão que luta pela própria autonomia financeira e a de sua família.

Este texto poderia se restringir às dificuldades do trabalhador brasileiro, como a baixa remuneração, a exploração dos patrões e a vida limitada à rotina serviço-casa com escassas opções de lazer. Assunto muito debatido. Então, a opção foi outra: a de contar a vida do nosso personagem e tentar entendê-lo.

Fraissat não tem medo de desafios. Já residiu em mais de uma dezena de cidades brasileiras, entre elas, São Félix do Xingu\MT, Marabá e Conceição do Araguaia\PA, Palmas\TO, Tupaciguara\MG. Inclusive morou na Espanha.


Profissões
Fraissat também exerceu diversas atividades profissionais, a maioria delas sem afinidade uma com a outra. Vendedor de laranjinha e picolé quando criança, frentista de posto de combustíveis, comerciante de material de construção, secretário de escola, balconista de farmácia.

Trabalhou em pit-dog, gráfica, preparou tinta automotiva e atualmente trabalha com assistência técnica de produtos de informática. Também hoje Fraissat integra o 6º semestre do curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) da UFMT\campus Araguaia.

A atividade jornalística, caracterizada pelo dinamismo e a transformação social, se conecta com o estilo cigano e multiprofissional do personagem. É a sua cara.



As responsabilidades e possibilidades de morar sozinho


Repórter: Ana Carolina Vilela Paiva
Editor: Lucas Antônio Luz Iglesias


O fluxo de jovens aumenta em Barra do Garças, ainda mais depois que a Universidade Federal de Mato Grosso adotou o Enem como sistema único de ingresso da instituição.

Para a estudante do 6º semestre do curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo), Carolina de Oliveira Pizzatto, as maiores dificuldades foram deixar a casa dos pais e enfrentar as responsabilidades de morar sozinha. Atividades simples, como cuidar da comida, pagar aluguel, água e internet corresponderam, no início, a alguns dos problemas com os quais teve que lidar. Isso lhe gerou vários transtornos, entre eles contas vencidas e problemas na alimentação.

Já em seu terceiro ano de faculdade, ela diz que se acostumou com a situação e que morar sozinha é uma experiência que a ajuda a amadurecer mais rápido. A saudade não deixa de existir, mas hoje a acadêmica se sente mais segura até para enfrentar o mercado de trabalho e as dificuldades que estão por vir após a conclusão do curso. Carolina deseja se aprimorar na área de moda, com que tem maior afinidade. Para isso terá que mudar mais uma vez de cidade, tendo em vista que em Barra do Garças não há especialização no setor.

Deixar as casas dos pais para estudar fora está se tornando cada vez mais comum, não só em Barra do Garças, como em todo o país. Crescendo assim, a diversidade entre os jovens, que conhecem várias culturas, e em suas universidades podem conviver com pessoas de várias partes do Brasil.

As multiplicidades que os alunos encontram na universidade os fazem ver um universo cheio de possibilidades, onde só fica estagnado quem quer.





A verdadeira Amélia,
bem diferente da canção


Repórter: Paula Nonato
Editora: ???


Heloisa Helena, digna de ser chamada mulher pela sua raça, força e determinação. Com apenas seis anos teve que aprender a conviver com a separação dos pais. A mais velha de um casal de filhos, sofreu pelo distanciamento do pai na infância. Aos 13 anos foi morar com ele e presenciou seu segundo casamento. Teve problemas de relacionamento com a madrasta, mas suportou calada para não contrariar o pai.

Casou-se com “o grande amor” de sua vida e teve um casal de filhos. Conseguiu conciliar a vida de mãe, esposa e estudante. Formou-se em Letras em 2004 e, em 2010, também em Espanhol, seguindo a vida acadêmica.

Atualmente, leciona na rede estadual e particular de Barra do Garças. É a verdadeira “miss imperfeita”: mãe e mulher, trabalha todos os dias, ganha sua “grana”, vai ao supermercado, decide o cardápio das refeições, leva os filhos ao colégio (e busca), almoça e estuda com eles. Procura suas amigas, namora, viaja, paga suas contas e ainda participa de eventos e reuniões ligados à profissão.

Ah, se o ator e compositor Mário Lago conhecesse Heloísa, não teria saudades da Amélia (a da célebre canção).



RELATO PEDAGÓGICO SOBRE JORNALISMO ESPECIALIZADO
Jornalismo especializado: uma dança participativa
Jornalista e professor Gibran Lachowski

Compartilho a metodologia utilizada numa de minhas aulas de Jornalismo Especializado I para estudantes do 6º semestre do curso de Comunicação Social (habilitação Jornalismo) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT\campus Araguaia).

A ideia foi estimulada por conta da repercussão que o desenvolvimento das atividades (ocorridas em 12 de agosto) causou em mim e, percebo, também nos acadêmicos.

Cochicho em grupo
Trabalhei a conceituação de jornalismo especializado. Primeiro, a turma foi separada em cinco grupos. Cada um colocou no papel uma série ideias que sintetizasse o tema, decorrentes da vivência acadêmica.


Exposição escrita
Um integrante por equipe pôs as informações no quadro branco e em seguida as cinco colunas foram lidas em voz alta por mim. Num diálogo com os estudantes, pedi que apontassem os termos que mais apareciam, sendo eles:específico e maior conhecimento na área.


Diálogo com autoria acadêmica
A turma, em duplas e trios, recebeu folhas com tópicos que resumiam o que era jornalismo especializado. Os apontamentos foram deduzidos de um artigo científico intitulado “O jornalismo especializado na sociedade da informação”, de Ana Carolina de Araujo Abihay, de 2000, que lhe serviu de trabalho de conclusão de curso de Comunicação Social (habilitação em Jornalismo) na Universidade Federal da Paraíba (disposto em www.bocc.ubi.pt).
As equipes compararam o que estava exposto no quadro com os tópicos científicos. Apontaram que suas observações pouco se relacionavam com a análise da autora.


Explicação ponto a ponto
Pedi que verbalizassem que elementos seus não estavam contemplados na análise de Abiahy e expliquei-os, quais sejam:
periodicidade mais elástica;
abordagem aprofundada;
público interlocutor mais definido, permitindo maior proximidade com veículo midiático;  
mais termos técnicos (sem hermetismo);
facilitação para investimento publicitário;
conflito entre orientação por demanda comercial e por interesse público;
aproveitamento da “onda de especialização” por minorias sociais.

A explicação se deu de modo diálogo, com estabelecimento de fluxo entre exposição e abertura para dúvidas, comentários e indagações.

Depois dessa etapa houve o intervalo.


Exercício de análise 
Na segunda etapa, cada dupla ou trio pegou uma das publicações disponíveis em sala de aula, fez uma leitura dinâmica do material (em cerca de 30 minutos) e responder se o material era jornalístico especializado ou não e por quais razões



Socialização e categorização

Cada dupla e trio expôs verbalmente seus entendimentos. Ouvi as participações, reforcei os principais argumentos e analisei os julgamentos, apontando-os como corretos ou incorretos (sob justificativas).

Foram 12 publicações, cujos nomes e “resultados” seguem adiante:
UFMT Ciência (jornalística especializada científica, escrita e editada por jornalistas);

Scientific American Brasil (jornalística especializada científica, editada por jornalistas, com alguns textos noticiosos, elaborada por cientistas);

Carta Capital na Escola (jornalística especializada, direcionada a professores, editada por jornalistas, com propagandas voltadas à educação);

IHU On-line (não-jornalística por não ter textos noticiosos nem edição de profissionais da área, com conteúdo organizado e que circula no Instituto Humanitas da Universidade do Vale dos Sinos\RS);

Observatório Social do Brasil (jornalística especializada, com edição jornalística e pautas referentes ao programa de implantação de observatórios sociais – mecanismos de controle social quanto às finanças de órgãos públicos);

Folha Universal (jornalística, com textos e edição feitos por jornalistas, notícias sobre diversas áreas da sociedade);

Sentidos (jornalística especializada, com edição de jornalista, matérias voltadas a diversos aspectos das vidas de pessoas deficientes, propagandas direcionadas);

Imprensa (jornalística especializada, com temas voltados para profissionais da comunicação, propagandas direcionadas, textos e edição feitos por jornalistas);

Fórum (jornalística, com textos e edição feitos por jornalistas, temas diversos, enfoques a pedi

Retratos do Brasil (jornalística, com textos e edição feitos por jornalistas, poucos temas, aprofundados, mas diversos).


Considerações
Ao final do conjunto de aulas, rememorei o que define o jornalismo especializado e falei da complexidade do termo\conceito, visto que é possível haver: produtos especializados jornalísticos, especializados não-jornalísticos e jornalísticos não-especializados. E ainda, jornalísticos especializados, contudo de assessoria, o que pode diminuir a amplitude de interesse público do material veiculado.


Trabalho posterior
Para estimular o aprofundamento da discussão sobre a conceituação e a funcionalidade do jornalismo especializado, solicitei que a turma lesse o trabalho científico de Abiahy, subdividido, basicamente, em (para debate na aula seguinte):
fluxo de informações no mundo globalizado;
áreas, gostos, públicos;
perfil do jornalista contemporâneo;
segmentação e superespecialização;
demandas comerciais e interesse público;
o universo das revistas